Busca interna do iBahia
Produção nacional da droga de Breaking Bad faz consumo disparar no Brasil

POLÍCIA

Droga de Breaking Bad começa a ser produzida no Brasil e consumo explode

Com produção nacional, preço mais baixo e aumento nas apreensões, a metanfetamina deixa de ser uma droga distante da realidade do Brasil

Produção nacional da droga de Breaking Bad faz consumo disparar no Brasil - Foto Luan Julião | Ag. A TARDE | ChatGpt

Ouvir Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email
Luan Julião
Por
| Atualizada em

Siga o A TARDE no Google

Google icon

Por muitos anos, a metanfetamina foi tratada no Brasil quase como uma droga “estrangeira”. Diferente da maconha, da cocaína e do crack, historicamente mais presentes nas estatísticas policiais e nos debates sobre dependência química no país, a chamada “meth” ocupava um espaço distante do cotidiano brasileiro.

Mesmo entre drogas sintéticas consumidas em festas e ambientes de maior poder aquisitivo, substâncias como ecstasy, LSD e MDMA sempre tiveram muito mais presença do que a metanfetamina. A imagem da droga estava muito mais ligada ao colapso social visto nos Estados Unidos e à cultura pop americana do que às ruas brasileiras.

Tudo sobre Polícia em primeira mão!
Entre no canal do WhatsApp.

Boa parte dessa percepção foi construída pela série Breaking Bad, que transformou a metanfetamina cristalizada em um dos símbolos da produção audiovisual sobre o narcotráfico. A produção acompanha a trajetória de um professor de química que passa a fabricar a droga em laboratórios clandestinos, produzindo um cristal azul de alta pureza que movimenta um império criminoso. A série se tornou um fenômeno mundial, atualmente disponível na Netflix, e também chegou ao público brasileiro por meio de transmissões na TV aberta pela Record TV

Durante muito tempo, aquilo parecia apenas entretenimento para o público brasileiro. Mas o cenário começou a mudar.

A produção nacional mudou o mercado da droga

Nos últimos anos, investigadores passaram a identificar uma transformação silenciosa no tráfico brasileiro: a metanfetamina deixou de ser apenas importada e começou a ser produzida em território nacional.

O impacto foi imediato. Com laboratórios funcionando no país, o preço da droga despencou. O que antes circulava em pequenas quantidades e era vendido por valores muito altos passou a ficar mais acessível dentro de determinados grupos urbanos.

Segundo investigações policiais, organizações criminosas passaram a buscar especialistas capazes de reproduzir fórmulas químicas utilizadas no exterior. A intenção era simples: reduzir custos, acelerar a distribuição e ampliar o consumo.

Leia Também:

Esse processo de “nacionalização” da metanfetamina chamou atenção principalmente em São Paulo, onde se concentram as maiores apreensões e investigações relacionadas à droga.

O laboratório clandestino descoberto em São Paulo

A descoberta de um dos principais esquemas aconteceu durante uma investigação que inicialmente não tinha relação direta com drogas sintéticas.

Em 2024, a Polícia Civil começou a apurar denúncias envolvendo tráfico humano na capital paulista. A investigação levou agentes até um apartamento na região da Aclimação, onde funcionava um laboratório clandestino de metanfetamina.

No imóvel, policiais encontraram fórmulas escritas em chinês, instruções desenhadas à mão, produtos químicos e materiais usados na fabricação da droga. O apartamento teria recebido um fluxo intenso de pessoas em poucos meses, funcionando como ponto de produção e distribuição.

Fórmulas escritas em chinês, instruções desenhadas à mão
Fórmulas escritas em chinês, instruções desenhadas à mão | Foto: Reprodução / Fantástico

As investigações apontaram a participação de grupos formados por chineses, mexicanos, nigerianos, dominicanos e brasileiros. Segundo a polícia, apesar de atuarem em núcleos diferentes, os criminosos mantinham relações comerciais entre si e integravam uma mesma cadeia de tráfico.

O “Heisenberg” brasileiro

Entre os nomes investigados, um dos que mais chamou atenção das autoridades foi o do mexicano Guillermo Fabian Martinez Ortiz, apontado como responsável por ensinar técnicas de fabricação da droga.

Formado em engenharia química e com histórico profissional ligado ao setor petrolífero, ele teria usado conhecimentos técnicos para estruturar laboratórios clandestinos no Brasil. O apelido dado a ele por investigadores, “o Cozinheiro” acabou inevitavelmente remetendo ao personagem principal de Breaking Bad.

Segundo a polícia, Ortiz ajudou a reduzir drasticamente os custos de produção da metanfetamina no Brasil, permitindo que a droga chegasse ao mercado por preços muito menores do que os praticados anteriormente.

Com o barateamento, o receio das autoridades passou a ser o aumento acelerado do consumo.

Alta preocupante

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, as apreensões de metanfetamina pela polícia paulista cresceram ano após ano. Em 2022, foram apreendidos 101 gramas da droga. Em 2023, o número saltou para 816 gramas. Já em 2024, as apreensões chegaram a 2.370 gramas e, em 2025, alcançaram 3.880 gramas, um crescimento de 3.741% no período.

Metanfetamina é vendida em pequenas quantidades devido à grande duração do efeito
Metanfetamina é vendida em pequenas quantidades devido à grande duração do efeito | Foto: SSP/SP

Números mais recentes já indicam uma expansão do problema

Apesar de ainda distante das quantidades de cocaína e maconha retiradas de circulação, investigadores alertam que a comparação direta pode ser enganosa.

Isso porque a metanfetamina possui um padrão de consumo diferente. Pequenas quantidades já são suficientes para provocar efeitos intensos e prolongados, o que torna a droga altamente lucrativa para organizações criminosas.

Além da Aclimação, outros pontos ligados à produção e armazenamento foram encontrados em regiões centrais da capital paulista, incluindo imóveis próximos à Avenida do Estado e à Avenida São João.

O que é a metanfetamina?

A metanfetamina é uma droga sintética estimulante que atua diretamente sobre o sistema nervoso central. Em versões farmacêuticas controladas, pode ser utilizada para tratar alguns casos específicos de obesidade severa e transtornos de atenção, mas o produto vendido ilegalmente é fabricado sem qualquer controle sanitário.

Metanfetamina é uma droga sintética estimulante
Metanfetamina é uma droga sintética estimulante | Foto: By Radspunk - Own work, CC BY-SA 4.0/Divulgação

A substância costuma aparecer em forma de cristais, pó ou comprimidos e pode ser fumada, inalada, ingerida ou injetada. Nas ruas, também é conhecida por nomes como “Cristal”, “Vidro” e “Mina”.

Os efeitos iniciais incluem sensação intensa de energia, euforia, estado de alerta prolongado e redução do sono e do apetite. O problema é que esses efeitos vêm acompanhados de riscos severos ao organismo.

Entre os principais impactos estão aumento da pressão arterial, aceleração cardíaca, ansiedade extrema, paranoia, comportamento agressivo e episódios psicóticos. Em doses elevadas, a droga pode provocar convulsões, AVC, infarto e falência múltipla de órgãos.

Outro fator que preocupa especialistas é o potencial de dependência. A metanfetamina é considerada uma das drogas mais viciantes do mundo.

A crise americana e o alerta para o Brasil

Nos Estados Unidos, a metanfetamina se tornou um dos principais elementos da crise de drogas que afeta o país há décadas.

O aumento da pureza da substância e a expansão da produção clandestina contribuíram para elevar os índices de dependência química, internações psiquiátricas, overdoses e mortes relacionadas ao consumo de drogas estimulantes.

Em diversas cidades americanas, a droga passou a ser associada ao crescimento da população em situação de rua, surtos de violência e colapso de serviços públicos de saúde mental.

Especialistas brasileiros observam o avanço da produção nacional com preocupação justamente porque o país já enfrenta dificuldades históricas no combate ao tráfico e no tratamento da dependência química.

O temor é que a metanfetamina represente uma nova etapa da crise das drogas no Brasil — mais barata, mais acessível e potencialmente mais destrutiva.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.

Participe também do nosso canal no WhatsApp.

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Email Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar no Whatsapp

Tags:

brasil breaking bad crime

Siga nossas redes

Siga nossas redes

Publicações Relacionadas

A tarde play
Produção nacional da droga de Breaking Bad faz consumo disparar no Brasil
Play

Vídeo: três crianças vítimas de maus-tratos pela mãe são resgatadas em Pernambués

Produção nacional da droga de Breaking Bad faz consumo disparar no Brasil
Play

VÍDEO: influenciador é baleado em briga na Estação Acesso Norte

Produção nacional da droga de Breaking Bad faz consumo disparar no Brasil
Play

Vídeo: dois homens são presos e ponto de tráfico é desarticulado na Barra

Produção nacional da droga de Breaking Bad faz consumo disparar no Brasil
Play

Loja tem prejuízo de R$ 27 mil após roubo de 48 celulares na Bahia

x