ANÁLISE
A tentativa da terceira via nacional e o Brasil polarizado
Estratégia do PSD tenta furar a bolha da polarização em 2026

O PSD (Partido Social Democrático), sob a batuta de Gilberto Kassab, consolidou-se em 2026 como o "gigante do centro" e o principal articulador de uma alternativa à polarização entre o lulismo e o bolsonarismo. No entanto, o desafio de transformar capilaridade municipal em votos presidenciais em um país dividido é monumental.
Se no âmbito nacional, o partido pretende bater de frente com PT, em alguns estados, como a Bahia, o PSD de Otto Alencar anda junto com a sigla vermelha até agora.
Estratégia
O PSD não quer ser apenas um coadjuvante, quer sim montar um elenco de pré-candidatos que governem estados importantes, buscando apresentar gestão como antídoto à ideologia.
Ronaldo Caiado, atual governador de Goiás, por exemplo, recém-filiado ao PSD, traz o vigor do agronegócio e uma pauta forte de segurança pública, tentando herdar o voto conservador sem o "passivo" radical de Bolsonaro.
Já Ratinho Jr, governador do Paraná, representa o equilíbrio, pois tem boa entrada no mercado e um governo bem avaliado, servindo como uma ponte entre o eleitorado de direita e o centro.
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, oferece um perfil mais liberal e progressista em costumes, focando em um eleitorado urbano e moderado que rejeita os extremos.
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A tática de Kassab é a da "fumacinha branca", deixar que os nomes circulem, ganhem corpo e, no momento certo, o partido vai escolher aquele que tiver menor rejeição e maior potencial de unificar o centro-direita.
O exército de prefeitos
A maior vantagem do PSD é a estrutura. Após as eleições municipais de 2024, o partido tornou-se a maior força em número de prefeituras no Brasil, com mais de 880 cidades.
Nas eleições presidenciais, os prefeitos são os "cabos eleitorais" de luxo. Ter o comando de milhares de cidades significa ter máquinas locais trabalhando para o candidato do partido, o que ajuda a furar a bolha digital da polarização.
Terceira força
Embora o partido seja uma potência institucional, a eleição presidencial brasileira é historicamente plebiscitária e emocional. Enquanto Lula e Bolsonaro, bem como os herdeiros diretos, como Tarcísio de Freitas ou Michelle Bolsonaro possuem recall nacional imediato, os nomes do PSD ainda precisam ser "apresentados" ao grande público fora dos estados considerados como redutos dos nomes apresentados.
A sensação de que a população não se sinta representada pelos extremos, se esbarra na hora do voto, já que o medo de o "pior candidato" vencer costuma empurrar o eleitor de volta para um dos dois lados, que é o chamado voto útil.
Equilibrismo de Kassab
O PSD hoje ocupa ministérios no governo Lula e, ao mesmo tempo, apoia governos de oposição, como o de Tarcísio em SP. Essa ambiguidade é ótima para governar, mas pode ser confusa para o eleitor que busca uma identidade clara de oposição ou situação.
O PSD tem o que faltou às "terceiras vias" anteriores: tempo de TV, fundo partidário robusto e base territorial. Se o partido conseguir convencer o eleitor de que a economia e a segurança precisam de "gerentes" e não de "mitos ou pais dos pobres", ele tem chances reais de forçar um segundo turno.
No entanto, em um ambiente onde a emoção domina a razão, o PSD corre o risco de ser o "partido de todo mundo" que acaba não sendo o escolhido de ninguém para o cargo máximo.
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