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Adolfo Menezes entrega Comenda Dois de Julho a Florisvaldo Mattos

Sessão especial foi realizada nesta quinta-feira, 11

Redação
Por Redação
Adolfo Menezes e Florisvaldo Mattos
Adolfo Menezes e Florisvaldo Mattos - Foto: Divulgação | Alba

Ao som dos clarins dos Filhos de Gandhi e ladeado por jornalistas – seus ex-alunos da Faculdade de Comunicação da UFBA – o escritor, professor e jornalista Florisvaldo Mattos recebeu, nesta quinta-feira, 11, a Comenda 2 de Julho, em sessão solene na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). A proposição foi do deputado estadual Adolfo Menezes (PSD).

Cercado de familiares, amigos e companheiros de redação de diversos veículos de comunicação, Flori, aos 94 anos, ainda teve fôlego para autografar o livro de poemas “Mares Anoitecidos”, reeditado pelo selo Alba Cultural.

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Em seu discurso, quando citou Fernando Pessoa, Guimarães Rosa e versos do próprio homenageado, Adolfo Menezes lamentou que a honraria deveria ter sido realizada antes.

“Há 20 anos, talvez, quando cheguei no meu primeiro mandato nesta Casa. Contudo, coincide, Mestre Flori, com a minha despedida deste plenário, com o quase fim da minha atividade parlamentar. Nada foi escolhido, nada foi combinado com o destino”, discursou Adolfo Menezes, exaltando a trajetória jornalística e literária do filho de Água Preta – hoje município de Uruçuca.

Provavelmente foi a última sessão solene de Adolfo na Alba. Também na presidência da solenidade, a deputada Olívia Santana comandou uma salva de palmas, com todos de pé, para reverenciar o ex-presidente da Alba. Em lágrimas, Menezes disse: “Estou triste, mas, ao mesmo tempo, muito contente por lhe prestar esta homenagem, pela tua grandeza e merecimento, mestre Florisvaldo Mattos”.

O poeta agradeceu, emocionado, a homenagem. “Neste quadrante da vida, tenho o dever do agradecimento, merecido e sincero, ao ilustre deputado Adolfo Menezes, por esta prestigiosa cerimônia de entrega da Comenda Dois de Julho, a mais alta conferida pela Assembleia Legislativa da Bahia, e que muito me honra”, discursou Flori, que contou a sua trajetória desde Água Preta, passando por Ilhéus, até Salvador, onde formou-se em Direito, mas exerceu a profissão de jornalista por 53 anos.

No seu discurso, Flori relembrou o tempo em que chegou à capital da Bahia. “Não poderia olvidar a moldura folclórica da minha chegada a Salvador, vindo de Itabuna, de ônibus, às 21 horas, de uma segunda-feira gorda de Carnaval, parar no alto da Ladeira da Montanha, o ponto final, e atravessar a Praça Castro Alves, em pleno desfile de cordões e batucadas, e ainda com uma jamais imaginada novidade: a fobica de Dodô & Osmar, com cantos e sons de guitarra elétrica, defronte do Teatro Carlos Gomes. Fiquei embasbacado”, contou, acrescentando que, tempos depois, evocou este momento no poema “Tempos de Arlequim”.

Ao final do seu discurso, Flori declamou o soneto “Da Noite Para o Dia”, de 2015, para a sua amada Vera, companheira há 43 anos: Acordo e contemplo o horizonte, tenso. Vem do fundo do céu a luz da aurora. Entre aflições, desperto e penso. No que foi bom do que vivi outrora.

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Outro dos momentos de emoção da sessão especial foi quando Adolfo recitou o poema “Rumo à Água Preta”, onde Dona Gertrudes, a mãe de Flori, recomenda: “A luz do livro guiará o pensamento”. Em seguida, ele homenageou os estudantes do Colégio Estadual Raimundo de Almeida Gouveia, do bairro de Castelo Branco, de Salvador, presentes ao evento. “O conhecimento é a nossa maior riqueza.

A solenidade, além dos Filhos de Gandhi, teve as participações da Banda do Centro de Formação da Polícia Militar, sob a regência do maestro tenente Aristóteles; o músico e maestro Marcos Roriz, interpretando a “Canção do Pássaro Viúvo”, poema musicado do poeta baiano Sosígenes Costa; o aboio do repentista Jessé, de Ponto Novo, Riachão do Jacuípe; a jornalista e cantora Rita Tavarez, que cantou “Antonico”, de Ismael Silva, e “Marina”, de Dorival Caymmi – canções da predileção do poeta uruçuquense.

Na Mesa Solene, presentes a presidente da Comissão de Cultura da ALBA, deputada Olívia Santana; a prefeita do município de Uruçuca, Magnólia Barreto; Luciano Suedde, representando o secretário de Comunicação do Estado da Bahia, Marcus Di Flora; o presidente da Academia Baiana de Letras da Bahia, o escritor Aleilton Fonseca; o escritor e amigo do homenageado, jornalista Ruy Espinheira Filho; o vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Moacy Neves; a presidente do Sindicato dos Jornalistas da Bahia, Fernanda Gama; a presidente da Associação Baiana de Imprensa, Suely Temporal; o diretor da Faculdade de Jornalismo da Universidade Federal da Bahia, Washington Souza Filho; o ex-presidente da OAB-BA, Luiz Viana Queiroz; a diretora do Grupo A Tarde, João de Mello Leitão; a deputada federal Lídice da Matta (PSB); Edmundo Filho, representando o governador Jerônimo Rodrigues; e Luiz Fernando Lima, chefe da Assessoria de Comunicação da ALBA.

Perfil

Florisvaldo Moreira de Mattos, nasceu em Água Preta do Mocambo – atual Uruçuca – filho de Dona Gertrudes e Seu Oscar, em 8 de abril de 1932. Em 1958, formou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia, ingressando nesse mesmo ano no jornalismo, profissão que abraçou. E que labutou, diariamente, por mais de meio século.

Colaborou para o Jornal da Bahia, atuou também no Diário de Notícias, exercendo a função de repórter, redator e colunista. Pela mesma Universidade Federal da Bahia fez Mestrado em Ciências Sociais, ali ingressando como professor em 1962, exercendo o magistério superior até 1994. Em 1964, fez especialização em Jomalismo e documentação pela Escuela Superior de Periodismo, em Madrid.

Entre 1987 e 1990, presidiu a Fundação Cultural do Estado da Bahia. Comandou as redações do Jornal da Bahia e da sucursal baiana do Jornal do Brasil. De 1990 a 2004, foi editor do Caderno de Cultura do jornal A Tarde, premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte, em 1995, como o melhor órgão de divulgação cultural do Brasil. Também, em A Tarde, foi editor-chefe.

Membro da Academia de Letras da Bahia, eleito em 28 de dezembro de 1994, tomou posse em 26 de novembro de 1995, na Cadeira 31, sendo saudado pelo jornalista escritor e amigo João Carlos Teixeira Gomes – Joca, o “Pena de Aço”.

Em 1996, a União Brasileira de Escritores concedeu-lhe o Prêmio Ribeiro Couto de Poesia, pelo seu livro “A Caligrafia do Soluço e Poesia Anterior”.

Integrou o grupo “Geração Mapa”, antológico movimento iniciado no Colégio Central da Bahia, que influenciou o Cinema Novo e a Tropicália de Gil & Caetano. No grupo, estelares como Glauber Rocha, João Carlos Teixeira Gomes, Fernando Peres, Paulo Gil Soares, Calasans Neto, Sante Scaldaferri, João Ubaldo Ribeiro, Sônia Coutinho e David Salles.

Mestre de vários Mestres e inúmeros discípulos, o jornalista, professor, escritor e poeta Florisvaldo Mattos está entre as grandes personalidades brasileiras. Faz parte de uma geração brilhante e efervescente da Cultura e do Jornalismo da Bahia, ao lado de notáveis como Jorge e James Amado, Adonias Filho, Zélia Gattai, Carybé, Myriam Fraga, Jorge Medauar, Odorico Tavares, Paulo Nacif, Jorge Calmon, José Carlos Capinam, Ruy Espinheira Filho e Fernando da Rocha Peres e Roberto Santana.

Publicou, ao longo de sua brilhante carreira literária, diversas obras:

• Reverdor, 1965;

• Fábula Civil, 1975;

• Dois Poemas para Glauber Rocha, 1985;

• A Caligrafia do Soluço & Poesia Anterior, 1996;

• Estação de Prosa & Diversos, 1997;

• A Comunicação Social na Revolução dos Alfaiates, 1998;

• Mares Anoitecidos, 2000;

• Galope Amarelo & Outros Poemas, 2001;

• Travessia do Oásis – A Sensualidade na Poesia de Sosígenes Costa, 2004;

• Poesia Reunida & Inéditos, 2011;

• Sonetos Elementais – Uma Antologia, 2012;

• Estuário dos Dias & Outros Poemas, 2016

  • Antologia Poética & Inéditos, 2017;

• Tertúlia Democrática, 2019;

• Cacaueiros – Poesia. Conto. Teatro, 2022;

• Academia dos Rebeldes & Outros Exercícios Redacionais, 2023;

• Catorze janelas abertas: sonetos reunidos, com inéditos (1953-2023), 2024;

• Ponteio com tercetos sensoriais, 2026.

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