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Aécio adverte contra o uso eleitoral da tragédia de São Paulo

JORNAL A TARDE
Por JORNAL A TARDE

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, advertiu hoje os políticos contra tentação do uso eleitoral do trauma coletivo que a população de São Paulo viveu nos últimos dias. "Não podemos tratar essa ação criminosa do ponto de vista eleitoral", afirmou Aécio, dizendo-se "absolutamente chocado com a amplitude e o destemor dos criminosos que comandaram essas ações".



O governador esteve hoje em Washington para assinar um contrato de crédito com o Banco Mundial e retornará na sexta-feira para firmar um empréstimo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento. Amanhã, em Nova York, Aécio se reunirá com dois outros cardeais do PSDB, o presidente do partido, senador Tasso Jereissati, e o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, para avaliar os eventos e conversar sobre a campanha do candidato tucano ao Planalto, ex-governador paulista, Geraldo Alckmin.



Falando aos jornalistas na embaixada do Brasil na capital americana, ele disse que evitar a politização da tragédia que se abateu sobre a maior cidade do País "é a primeira responsabilidade que nós todos devemos ter com os cidadãos não apenas de São Paulo, mas do Brasil". Segundo o líder mineiro, "transferir responsabilidades, dizendo que foi omissão do governo federal, ou do ex-governador, ou do atual governador, é um gravíssimo equívoco". Em lugar disso, ele aconselhou a adoção simultânea de várias medidas.



O Congresso deve votar sem demora propostas pendentes há anos na Câmara de modernizam e agilizam o código de processo penal, encurtando o tempo dos processos, afirmou Aécio. Ele defendeu também a suspensão do contingenciamento pelo governo federal dos recursos do Fundo Nacional de Segurança e do Fundo Penitenciário que, como lembrou, não começou no atual governo.



"Esses recursos são parte de um plano estratégico de segurança e devem ter, ao menos temporariamente, a mesma prioridade dada a recursos destinados à educação e saúde, que não podem ser contingenciados", disse. "Minas recebeu zero, no ano passado, desse dois fundos".



"O que aconteceu em São Paulo é um alerta de muita gravidade e precisamos agir de forma compartilhada, integrando informações e inteligência de nossas policias estaduais e contando com a colaboração mais efetiva do governo federal", disse Aécio.



Sobre seu encontro com Fernando Henrique e Tasso, o governador confirmou que o tema principal da conversa será a campanha tucana. "O momento é de definir estratégias", afirmou. "É claro - e digo isso com muita franqueza - que todos nós gostaríamos que o Alckmin estivesse com o dobro do que está nas pesquisas". Mas, numa linguagem que trai no mínimo apreensão diante do mau desempenho do candidato tucano até agora, Aécio disse que é "hora para ter muita serenidade para que possamos executar uma estratégia que possa nos levar à vitória".



"Ainda acho que a candidatura Alckmin tem uma grande potencial de crescimento", afirmou. Segundo ele, "a última pesquisa mostrou que apenas 65% do eleitorado conhecem o candidato Geraldo Alckmin, enquanto 99% sabem quem é o presidente Lula". Para Aécio, as pesquisas qualitativas mostram que quanto maior o índice de conhecimento de Alckmin, maior a intenção de voto nele "Isso não corre em relação ao presidente Lula".



Revelando parte da estratégia tucana, o governador disse que estudo encomendado pelo PSDB e já discutido em reunião realizada recentemente em Belo Horizonte, com a participação de Jereissati e Fernando Henrique, levou à identificação de três grupos que representam proporções iguais de um terço dos votantes: os eleitores tradicionais de Lula, que votaram nele três ou quatro vezes nas quatro eleições presidenciais de que participou desde a redemocratização; os eleitores que jamais deram seu voto ao atual presidente. E os eleitores eventuais de Lula, que o apoiaram apenas uma ou duas vezes na urnas.



"É atrás desse eleitores eventuais que o PSDB vai concentrar agora sua estratégia eleitoral", disse Aécio. De acordo com o cardeal tucano, "você não conquista esse eleitor apenas desconstruindo a imagem do Lula". Isso não quer dizer, no entanto, que não haverá campanha negativa.



"Essa questão ética gravíssima que tomou conta do País ele permeará a campanha com naturalidade. Mas nós devemos definir com clareza nossa estratégia de convencimento desse eleitor que já deu a Lula uma oportunidade mas pode não estar disposto a dar outra". Aécio acredita que uma maneira de fazer com que o eleitor eventual de Lula mude abandone o petista desta vez é "focar muito na gestão pública eficiente e que não há mais lugar para messianismos e para propostas inexeqüíveis, como ocorreu na eleição passada por parte do candidato Lula".



"Isso significa que nós não vamos produzir um candidato mais carismático, mas o candidato no qual as pessoas enxergarão o administrador sério, com resultados muito concretos e positivo à frente do maior governo do País - e eu me refiro ao Geraldo", afirmou Aécio, usando o nome de batismo do candidato, que, conforme indicou, deverá substituir o menos pronunciável Alckmin nas declarações e na publicidade da campanha.

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