POLÍTICA
Após a eleição, PT tenta acertar rumo


O PT baiano e o governador Jaques Wagner, depois das eleições que desencadearam forte crise na aliança entre o partido e o PMDB no Estado, se encontram diante de missão hercúlea: precisam contornar o problema, assegurar a governabilidade e, ao mesmo tempo, colocar limites ao PMDB do ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), barrando uma possível candidatura do peemedebista a governador em 2010.
É nesta conjuntura que a direção do PT se reúne nesta segunda-feira, 3, para avaliar o quadro, pela primeira vez após a disputa eleitoral, com as bancadas de deputados federal e estadual da legenda, respectivamente, às 10h na sede do PT (localizada na Rua da Independência), e às 17h, na Assembléia Legislativa da Bahia.
Ao tempo em que o governador chega dos Estados Unidos (o que está previsto para esta segunda, às 7h30min) e deve continuar a movimentação para manter as rédeas da aliança no Estado, que preocupa o presidente Lula diante também das desavenças entre as duas legendas pelo comando das presidências da Câmara Federal e do Senado. "Nosso próximo rumo e desafio é preparar a sucessão de Lula e a reeleição de Wagner sem qualquer flerte com o inimigo, com a idéia fixa de consolidar a mudança iniciada em 2006 na Bahia", resumiu o presidente estadual do PT, Jonas Paulo.
O petista considera que o presidente Lula cometeu um equívoco tático fundamental ao estabelecer uma interdição política e uma distância do Planalto em relação às eleições municipais de Salvador – na qual saiu vitorioso o candidato à reeleição João Henrique Carneiro (PMDB), o que fortaleceu enormemente o capital político de Geddel no Estado, após inclusive conseguir o apoio decisivo do DEM do deputado federal ACM Neto e do ex-governador Paulo Souto para a vitória na capital.
Críticas a Lula – "O Planalto errou por não entender que havia uma discussão nacional no processo de Salvador, aqui não era uma eleição qualquer", ressaltou Jonas Paulo. Segundo o petista, todas essas críticas foram feitas ao presidente, que agora se encontra preocupado com a situação.
"Não era uma eleição só dos amigos de Lula. Um governador que sempre esteve com Lula, um ministro que só entrou no segundo mandato do presidente e o combateu no primeiro e o líder da oposição (o deputado federal ACM Neto)... e o Planalto não percebeu isso", criticou Jonas. Na avaliação do presidente do PT, Lula deveria ter se posicionado melhor ou pactuado de forma mais eficiente os objetivos do governo federal. "Foi um equívoco tratar como uma coisa local. Deveria ter tido postura mais pró-ativa", pontuou.
Perdas e ganhos – Apesar disso, Jonas Paulo destaca que a Bahia foi o lugar onde o PT, com a vitória eleitoral em 67 municípios, obteve em termos proporcionais o melhor resultado do país e que, pela primeira vez, a esquerda foi para o segundo turno em Salvador.
Entretanto, é unânime no meio político a avaliação de que o grande vitorioso das eleições na Bahia foi o ministro Geddel Vieira Lima – conseguiu 113 prefeituras, além da capital – e que o governador Jaques Wagner, que teria cometido erro de estratégia ao apoiar três candidatos da sua base no primeiro turno em Salvador, com a derrota do petista Walter Pinheiro saiu enfraquecido e perdeu até grande parte do cacife que o colocava entre os possíveis presidenciáveis para 2010.
"Geddel saiu muito forte da eleição e aumentou o seu poder para disputar o governo do Estado em 2010", resumiu o cientista político Murillo de Aragão, da Arko Advice Análise Política.
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