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Após troca de marqueteiro, Alckmin intensifica críticas

Agencia Estado
Por Agencia Estado
Eleições 2026

Com a recente mudança do marqueteiro de sua campanha, o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin, já começa a apresentar uma postura diferente do clima "paz e amor" que vinha dominando seu discurso. O tucano já intensificou o tom das críticas a seus principais adversários e não poupou o atual prefeito e candidato à reeleição pela coligação "São Paulo no Rumo Certo" (DEM-PR-PMDB-PRP-PV-PSC), Gilberto Kassab, que só assumiu o cargo porque José Serra (PSDB) deixou a Prefeitura para se candidatar ao governo do Estado.

Publicamente, entretanto, o tucano nega que essa seja a nova linha de sua campanha. "Nós não pretendemos atacar ninguém. Nenhuma agressão, a campanha é propositiva, falando dos problemas da cidade e levando esperança", declarou. "Eleição é isso mesmo, um vai se eleger, há várias alternativas, e é preciso comparar para que o eleitor possa escolher."

Questionado sobre se iria isentar os profissionais autônomos do pagamento de Imposto Sobre Serviços (ISS), conforme prometeram Kassab e Marta Suplicy, candidata da coligação "Uma Nova Atitude para São Paulo" (PT-PCdoB-PDT-PTN-PRB-PSB), Alckmin foi enfático. "Eu aprendi o seguinte, prometa menos e entregue mais. Eu nunca prometi nada em véspera de eleição e reduzi impostos em São Paulo", disse ele, após participar de almoço com o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luiz Alberto Moreno, e de encontro com arquitetos e engenheiros que apóiam sua candidatura.

O candidato da coligação "São Paulo, na Melhor Direção" (PSDB-PTB-PHS-PSL-PSDC) tem tomado o cuidado de poupar o governador José Serra (PSDB) de suas críticas, embora o governador tucano pretenda rever as isenções e reduções tributárias que Alckmin adotou durante sua gestão. "Eu não acredito que vá rever, porque essas isenções são para o contribuinte e para o consumidor. Foi uma redução de impostos indiretos, que incidem de forma regressiva e injusta. O governo não vai rever a primavera tributária, e nós, na Prefeitura, vamos reduzir a carga tributária", garantiu.

Lei de Responsabilidade Fiscal

Alckmin voltou a defender uma flexibilização da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para grandes capitais, como São Paulo. A lei exige que os municípios mantenham a relação entre endividamento e receita anual em no máximo 1,2. Para os Estados, esse limite é de 2. O candidato propõe que grandes cidades, como a capital paulista, passem a se enquadrar nos parâmetros exigidos para Estados.

"Nós defendemos aumentar a relação dívida/receita do município de São Paulo e para as capitais brasileiras de 1,2 para 2. Isso abrirá um espaço para novos financiamentos, principalmente infra-estrutura de transporte", explicou. "A Prefeitura atualmente está em 1,8, mas nem daqui 40 anos vai chegar a 1,2. Então você vai deixar a cidade inviabilizada de fazer qualquer financiamento, podendo ter capacidade de endividamento, por uma restrição que nos parece inadequada, e olha que eu sou um grande defensor da Lei de Responsabilidade Fiscal."

Questionado sobre se a medida não seria um incentivo a uma avalanche de gastos e de pedidos de mudanças na lei, Alckmin respondeu que o tratamento deve ser diferenciado somente para as grandes capitais brasileiras. "Não tem sentido tratar São Paulo, com 11 milhões de habitantes, que se fosse um Estado seria o quarto maior brasileiro, como mais um município. Os grandes problemas de qualidade de vida estão nas metrópoles", sustentou.

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