POLÍTICA
Arquiteto assume duas obras dos projetos polêmicos


O arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé, emitiu uma nota, datada do dia 1º, que aponta a participação do Instituto Habitat, do qual ele é presidente, em apenas dois trabalhos do projeto Salvador Capital Mundial. A informação é diferente da apresentada pelo presidente da Fundação Baía Viva, Gustavo Sá, de que o arquiteto teria coordenado e apresentado ideias no projeto da Nova Cidade Baixa.
Lelé assume a realização do projeto executivo do Mercado São Miguel e da Passarela do Centro Histórico, através de contrato com a Secretaria da Cultura do Estado (Secult). Segundo a Secult, o projeto custará cerca de R$ 1,3 milhão. Já a proposta para a ponte sobre o Parque de Pituaçu, explica Lelé, teria sido “a título de colaboração com minha amiga Maria Elisa Costa”. Um funcionário do Habitat informou que ele está doente e não daria entrevistas.
O presidente da Fundação Baía Viva, Gustavo Sá, mostrou-se decepcionado com o desdobramento das doações. “Eu não quero mais falar sobre este assunto porque tratava-se de um projeto que daria uma nova roupagem à Baía de Todos os Santos, mas infelizmente as coisas se atropelaram”, lamentou. Quanto aos custos do projeto contratado junto ao escritório Brasil Arquitetura: “Agora isso se torna irrelevante”.
Se a Fundação Baía Viva dá o assunto como encerrado da parte dela com a retirada dos projetos, na Câmara dos Vereadores a conversa é outra. “É estranha essa retirada de (Carlos) Suarez. O que é que houve? Por que recuou? Tem que ser esclarecido”, afirma o vereador Alcindo Anunciação (PSL), líder do recém-criado bloco independente, que conta com seis vereadores. A reportagem de A TARDE tentou contato com escritório e residência de Suarez. A secretária Conceição ficou de dar retorno, mas não o fez até o fechamento da edição.
O vereador lembra que o prefeito João Henrique se comprometeu a promover uma discussão entre o secretário da Habitação, Antônio Abreu, técnicos da Prefeitura e o Legislativo na próxima terça-feira, às 16 horas. “Se ficarem dúvidas, vamos apoiar a CEI (Comissão Especial de Inquérito)”, avisa. O líder da oposição, Gilmar Santiago (PT), voltou a cobrar o Conselho das Cidades, previsto no PDDU, mas não instalado.
Pedro Godinho (PMDB) lembrou que o assunto será discutido em outras instâncias e comparou a polêmica do Salvador Capital Mundial com a ponte Salvador-Itaparica. “O projeto da ponte também foi doado”. O secretário de comunicação da Prefeitura de Salvador, André Curvelo, declarou por e-mail que as doações estariam de acordo com o artigo 52 da Lei Orgânica, que autoriza o prefeito a receber doações, além do decreto federal 5977/2006 e a Lei Federal 11922/2009, que falam sobre parcerias público-privadas.