POLÍTICA
Assembléia de RO suspende pagamentos


Numa aparente tentativa de reverter os danos à sua imagem, a Assembléia Legislativa de Rondônia suspendeu ontem os pagamentos de todos os contratos com fornecedores e prestadores de serviços e também a emissão de passagens aéreas. A medida valerá até que sejam concluídas as investigações sobre corrupção e fraudes atribuídas à quadrilha de deputados, comandada pelo presidente da Casa, José Carlos de Oliveira (PSL), o Carlão, desmantelada pela Operação Dominó.
Em contrapartida, em sua primeira sessão desde que o escândalo explodiu, na semana passada, a Assembléia também aprovou requerimento para que Carlão seja transferido da carceragem da Polícia Federal em Brasília, onde se encontra, para ficar sob a custódia do Poder Legislativo de Rondônia. A medida, caso seja acatada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), equivale a um relaxamento de prisão, já que ele continuaria comandando a Assembléia e, por extensão, a máfia que ele é acusado de comandar. Foi também criada ontem uma comissão especial para acompanhar a investigação policial e os fatos que levaram à prisão do presidente da Casa.
Apesar da negativa do governo federal em decretar intervenção em Rondônia, o retorno à normalidade das instituições do Estado é uma meta ainda muito distante. Designado para substituir o presidente do Tribunal de Justiça, Sebastião Chaves, o desembargador Péricles Cavalcante, embora não esteja preso, também é investigado como suspeito de integrar a quadrilha.
As investigações da Polícia Federal revelam Péricles articulando medidas em favor da quadrilha em várias situações. Interceptações telefônicas flagraram o desembargador participando da articulação, junto com Sebastião Chaves e outro juiz preso, para levantar o bloqueio dos bens de Carlão, em troca da aprovação de aumento salarial para a categoria dos magistrados. A PF teme também que, retornando a Rondônia, Carlão acabe atrapalhando as investigações.