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Denúncia anônima do caso Marielle pode ter sido fabricada, suspeita PF

A denúncia foi registrada na Divisão de Homicídios (DH) sete meses após assassinato da vereadora

Publicado sexta-feira, 29 de março de 2024 às 15:35 h | Atualizado em 29/03/2024, 15:41 | Autor: Da Redação
Marielle e Anderson foram assassinados em março de 2018
Marielle e Anderson foram assassinados em março de 2018 -

A Polícia Federal suspeita que uma denúncia anônima registrada na Polícia Civil do Rio de Janeiro, que liga os ex-policiais Ronnie Lessa e Élcio Queiroz à linha de investigação sobre a morte da vereadora Marielle Franco, tenha sido fabricada. As informações são da Folha de S. Paulo.

Segundo relatório da Polícia Federal, com base na colaboração premiada de Lessa, a denúncia anônima aconteceu em um momento em que o então chefe da Polícia Civil, Rivaldo Barbosa, comunicou aos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão que havia perdido o controle sobre a investigação.

Tanto Rivaldo e os irmãos Brazão foram presos suspeitos de mandar matar a vereadora. O chefe da Polícia Militar está detido por, segundo a PF, ter auxiliado no planejamento do homicídio e na obstrução da investigação. Giniton Lages, responsável pela primeira fase do inquérito, foi alvo de busca e apreensão e indiciado sob suspeita de ter retardado propositalmente a apuração. Todos eles negam envolvimento no crime.

A denúncia foi registrada na Divisão de Homicídios (DH) em 15 de outubro de 2018, sete meses após a morte de Marielle e Anderson. De acordo com documento sobre ela que consta no inquérito do caso, uma pessoa ligou para o telefone da unidade entre 11h e 12h daquele dia e contou detalhes do crime.

Em relação aos autores do homicídio, o informante disse que um ex-PM conhecido como Lessa era o autor do crime. Relatou ainda que outro envolvido era "um bombeiro militar". A PF identificou, neste ponto, uma contradição entre o relato documentado da denúncia, feita por um agente da DH, e o primeiro encaminhamento dado por Giniton à informação.

Ao encaminhar a informação para o setor de inteligência, o delegado pediu, escrito à mão, uma pesquisa tendo como parâmetros "Lessa" e "Maxuel". O segundo nome, porém, não consta da denúncia. Maxwell Simões Corrêa foi, posteriormente, acusado de ter conseguido e depois se desfeito do carro para a execução do crime.

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