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EXCESSO DE GASTOS

Cachês superfaturados são barrados pela justiça em Anagé

Gestão tem que depositar R$ 107 mil excedentes dos contratos com Magníficos e Cacau com Lei

Rodrigo Tardio
Por
Município tem prazo de 24 horas para depositar judicialmente valor excedente das contratações
Município tem prazo de 24 horas para depositar judicialmente valor excedente das contratações - Foto: Divulgação

A Justiça determinou, nesta sexta-feira, 19, que o município de Anagé, no sudoeste baiano, gestão de Rogério Bonfim Soares, conhecido como Rogério de Zinho (PSD), não realize pagamentos às bandas Magníficos e Cacau com Leite em valores acima da média de mercado dos artistas.

A decisão atende a uma ação civil pública do Ministério Público estadual (MPBA), motivada pelo excesso de gastos nos contratos para o "Arraiá do Gaviões", festejo junino programado para ocorrer entre os dias 21 e 23 de junho.

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A prefeitura havia fechado o cachê da Banda Magníficos em R$ 413 mil e o da banda Cacau com Leite em R$ 160 mil. No entanto, uma auditoria apontou que os limites razoáveis para as atrações, corrigidos pela inflação (IPCA) com base em contratos de 2025, seriam de R$ 332,5 mil e R$ 132,7 mil, respectivamente.

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Depósito judicial

Com a liminar, o Município de Anagé tem o prazo de 24 horas para depositar judicialmente o valor excedente das contratações, que soma R$ 107.711,42. Desse total, R$ 80,4 mil correspondem à diferença do contrato da Banda Magníficos e R$ 27,2 mil ao da Cacau com Leite.

De acordo com o processo, as justificativas apresentadas pela administração municipal para os reajustes não demonstraram fatos novos ou ganho expressivo de notoriedade dos artistas que sustentassem o aumento em relação ao ano anterior.

Situação de emergência

O magistrado também levou em consideração a realidade socioeconômica de Anagé. Atualmente, o município se encontra em situação de emergência decretada devido à estiagem prolongada, que tem afetado gravemente a população da zona rural.

Autor da ação, o promotor de Justiça Leandro Carvalho Duca Aguiar ressaltou que a medida não tem o objetivo de inviabilizar os festejos juninos ou cancelar as apresentações. O foco, de acordo com ele, é estritamente o controle do erário e a preservação do patrimônio municipal.

"Em respeito à tradicionalidade da festa e da sociedade, busca-se apenas assegurar que tais contratações estejam de acordo com os princípios constitucionais da economicidade, eficiência e moralidade administrativa", pontuou o promotor.

E emendou:

"Os recursos empregados nos festejos pertencem à coletividade e devem ser administrados com o mesmo rigor exigido para qualquer outra política pública", concluiu Aguiar.

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anagé Festas juninas Ministério Público

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