ELEIÇÕES 2026
Candidatos do PL na Bahia bancam material de Flávio Bolsonaro por conta própria
Distribuição de material de campanha vira pauta de descontentamento no partido



Além das divisões ideológicas e das disputas pelo controle interno do Partido Liberal (PL) na Bahia, outra desavença tem provocado turbulência na sigla em ano eleitoral: o descontentamento de candidatos com a distribuição de materiais de campanha pela direção estadual, comandada pelo ex-ministro e candidato ao Senado Federal, João Roma.
Conforme informações obtidas por A TARDE, a estrutura estadual do partido não estaria disponibilizando em quantidade suficiente materiais eleitorais para promover a candidatura do senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), no estado.
Diante disso, candidatos à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) ligados a ala mais ideológica do PL estariam custeando com recursos próprios a impressão de santinhos e outros materiais com a imagem de Flávio.
Além de promover a campanha do senador, esses candidatos decidiram custear os materiais de campanha por apostarem na força do sobrenome Bolsonaro para conquistar votos em Salvador e no interior do estado.

O A TARDE entrou em contato com a assessoria de João Roma para solicitar um posicionamento sobre a distribuição do material de campanha. Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.
Candidato denuncia boicote
Candidato à Câmara dos Deputados pela Bahia, Giu Argôlo (PL) afirmou ao A TARDE que, além de não receber material de campanha com a imagem de Flávio Bolsonaro, ele foi proibido de citar o nome do senador na propaganda eleitoral gratuita.
Estamos sendo escanteados e boicotados. Na propaganda de TV só tive direito a seis segundos e fui proibido de citar tanto Jair Bolsonaro quanto Flávio Bolsonaro e qualquer outro nome que seja ligado a eles Giu Argôlo - Candidato do PL
Giu também reclamou da falta de material de campanha e comparou sua situação com a de candidatos adversários, que, segundo ele, têm grande quantidade de santinhos com as imagens do presidente Lula (PT) e do candidato ao governo da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT).
“Não está sendo disponibilizado nenhum material com a imagem de Flávio Bolsonaro para a gente, zero. É até vergonhoso. Cerca de 99,9% das prefeituras no meu entorno são aliadas do PT e o pessoal deles tem um farto material de campanha com a figura de Jerônimo e Lula.”
Evitando indisposição com a majoritária
Paralelamente à distribuição dos santinhos, João Roma também estaria adotando uma postura mais moderada no discurso eleitoral neste ano, após disputar o governo da Bahia em 2022 totalmente associado à imagem e ao palanque do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Desta vez, ocupando uma das duas vagas ao Senado na chapa majoritária encabeçada por ACM Neto (União Brasil), o ex-ministro estaria suavizando a defesa do bolsonarismo e se aproximando da linguagem utilizada pelo candidato ao governo da Bahia.
A estratégia busca evitar que o eleitorado lulista rejeite a possibilidade de votar em Lula (PT) para presidente e em Neto para governador, combinação conhecida como “Lula-Neto”, que representa uma tendência de voto cruzado no estado.

Roma também estaria evitando uma indisposição com Neto, que já declarou apoio à candidatura do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência da República.