POLÍTICA
Collor escolhe gabinete longe do plenário e perto da saída


A possibilidade de entrar na Casa e sair dela sem ser visto levou o ex-presidente da República e senador eleito por Alagoas, Fernando Collor (PRTB), a optar por um gabinete distante do plenário, numa das alas menos cobiçadas do Senado. A partir de 1º de fevereiro, quando toma posse, Collor vai ocupar o gabinete de Geraldo Mesquita (PMDB-AC) que, por sua vez, herdará o gabinete hoje ocupado pela senadora Heloísa Helena (PSOL-AL). "O gabinete dele fica longe do plenário, mas perto do estacionamento, diz o diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, para explicar a preferência de Collor, que teria recusado ficar com o gabinete de Heloísa.
A senadora eleita Kátia Abreu (PFL-TO), deixou claro que não queria ficar com o gabinete do senador Eduardo Siqueira Campos (PSDB-TO), derrotado por ela. A solução foi dar à senadora o gabinete do senador José Jorge (PFL-PE), que deixará o Senado, que fica na direção oposta e bem distante do atual gabinete do tucano. O gabinete de Siqueira ficou para o senador eleito Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE), ex-governador do Estado.
O recém-eleito senador Cícero Lucena (PSDB-PB) também recusou o gabinete hoje ocupado por seu conterrâneo e adversário político Ney Suassuana (PMDB-PB), derrotado pelo tucano.
Considerado um dos melhores do Senado, o gabinete de Suassuna vai ficar para Marcelo Crivella (PRB-RJ), que deixará o seu para Cícero Lucena.
Segundo Agaciel Maia, a maioria dos gabinetes dos senadores tem tamanho praticamente igual - entre 70 e 80 metros quadrados. Uma exceção é o gabinete de Ramez Tebet (PMDB-MS), que ficou com 200 metros quadrados depois de reformado para abrigar o então senador (hoje deputado) Jader Barbalho (PMDB-PA).
O futuro senador Francisco Dornelles (PP-RJ) vai ocupar um dos gabinetes mais cobiçados do Senado, hoje ocupado por Saturnino Braga (PT-RJ), que tem numa parede um desenho feito por Oscar Niemayer, numa tarde em que esperava o então senador Darcy Ribeiro (PDT-RJ), morto em 1997.
Futuro vizinho de gabinete de Collor, o senador eleito Renato Casagrande (PSB-ES), conta que não teve opção ao escolher o gabinete, mas que não estranhará a grande distância até o plenário porque seu atual gabinete, na Câmara, é mais distante ainda.