ELEIÇÕES
Armamento e pandemia marcam debate entre candidatos ao Senado
Cacá Leão (PP), Otto Alencar (PSD), Raissa Soares (PL) e Tâmara Azevedo (PSOL) discutiram temas polêmicos


Discussões sobre armamento, pandemia e governo federal marcaram o debate entre os candidatos da Bahia ao Senado promovido pelo G1, nesta terça-feira, 30. Cacá Leão (PP), Otto Alencar (PSD), Raissa Soares (PL) e Tâmara Azevedo (PSOL) protagonizaram momentos de muitos atritos.
Logo no início, Tâmara ironizou ao chamar Raissa de "Doutora Cloroquina" e questionou o fato de a médica ter apoiado o uso de remédios comprovadamente ineficazes no tratamento de pacientes com a Covid-19, no auge da pandemia.
"É difícil entender que lógica que vocês usam, porque me parece que vocês vivem no metaverso, em realidade paralela", disse a candidata do PSOL.
Em outra oportunidade, Tâmara criticou Raissa por posar com armas e incentivar, assim como o presidente Jair Bolsonaro, o armamento da população.
"Você vai ser a senadora da violência? E ainda se diz cristã. Você não vai se eleger".
A candidata do PL argumentou que as armas que chegam às ruas não são compradas em lojas regulamentadas e que o comércio legal não estimula a violência.
"Quando eu faço uma foto daquela, com uma carabina 9 milímetros, é [pra mostrar] que aquele armamento é de tiro esportivo", disse Raíssa ao destacar que a polícia não consegue "dar conta de proteger o povo" e que comprar armas é um "direito à liberdade".
A CPI da Covid, instalada para investigar a atuação do governo federal na condução da crise sanitária e a demora para compra das vacinas, também foi tema do debate.
Raíssa questionou Otto por, segundo ela, ter desrespeitado a médica Nise Yamaguchi numa das sessões da Comissão Parlamentar de Inquérito.
O candidato do PSD rebateu ao dizer que chamou a de "senhora" e que ela "não soube responder qual era a diferença entre um protozoário e um vírus". Ele ainda retrucou que a violência contra as mulheres é uma prática de Bolsonaro.
"O presidente chamou a Daniela Lima, da CNN, de quadrúpede. Falou a uma deputada federal que ela não merecia ser estuprada. Eu nunca estenderei a minha mão a uma pessoa dessa".
Otto também aproveitou e disse que o governo federal não apresenta quadros técnicos nos seus Ministérios e que isso agravou ainda mais a crise no país.
"Bolsonaro colocou os amigos dele, para acomodar de uma forma que ele tenha o controle. E esse foi o técnico [Eduardo Pazuello] que vocês colocaram no Ministério da Saúde na pandemia", disse.
O candidato do PP, Cacá Leão, se esquivou de discussões mais polêmicas, mas não deixou de fustigar Otto sobre a situação da violência no estado, apontado como o grande problema do governo da Bahia, que é apoiado pelo senador do PSD.
Depois, questionado sobre a saída do PP da base de Rui Costa (PT) para o grupo de ACM Neto (União Brasil), Cacá Leão afirmou não discutir mais "coisas do passado".
"Não adianta ficar remoendo. Que a gente possa projetar a Bahia que a gente quer. E o que eu quero é estar no Senado para fazer essas transformações".