ELEIÇÕES
Lúcio diz que ACM Neto age como Bolsonaro contra a Justiça Eleitoral
Ex-prefeito de Salvador ameaçou "botar a boca no trombone" após perder tempo de propaganda


As declarações do candidato do União Brasil ao governo da Bahia, ACM Neto, em tom de insatisfação e ameaça à Justiça Eleitoral, continuam repercutindo no meio político. Umas das lideranças do PMDB, Lúcio Vieira Lima comparou o ex-prefeito de Salvador ao presidente Jair Bolsonaro (PL), conhecido por atacar com hostilidade as instituições brasileiras.
"Essa atitude é tipicamente bolsonarista. É o que Bolsonaro faz contra o Supremo Tribunal Federal. Mas o Supremo não se curva. Então, uma declaração dessa, solta dessa forma, funciona apenas como uma declaração política para pressionar os desembargadores, que não vão sofrer este tipo de pressão", destacou.
Durante comício em Simões Filho, na terça-feira, 13, ACM Neto bradou por estar, àquela altura, há quatro dias sem inserções na propaganda no rádio e na televisão.
"Por enquanto, eu estou esperando as decisões da Justiça Eleitoral. Se não acontecer, a gente vai, sem dúvida alguma, botar a boca no trombone", disse ACM Neto.
Em outro momento, ACM Neto deu a entender que a Justiça estaria interferindo no processo eleitoral.
"Eu aceito ganhar e perder eleição jogando dentro das quatro linhas. Ganhar ou tentar interferir no resultado de uma eleição fora das quatro linhas é uma vergonha", disse Neto.
Lúcio Vieira Lima lembra que decisão da Justiça deve ser cumprida e que quem se sentir prejudicado deve recorrer dentro das normas do Judiciário.
"Ele está fazendo uma ameaça: 'ou decide a meu favor, ou vou botar a boca no trombone'. É isso que está dito. Agora, ele tem a obrigação de dizer. Ele tá com suspeição de algum desembargador? Está com suspeição do Tribunal? Ele tá dizendo que isso é um jogo de cartas marcadas?", questiona.
Nas últimas semanas, a campanha de ACM Neto tem sofrido uma série de derrotas na Justiça Eleitoral. Desembargadores do TRE Bahia entendem que por várias vezes foram cometidas irregularidades, como a chapa ao governo ocupar o espaço destinado aos deputados da coligação e divulgar informações falsas sobre os adversários.