SEGURANÇA
Ex-secretário diz que PM-DF não cumpriu planejamento em ato golpista
Declaração de suplente de Anderson Torres aconteceu em CPI na Câmara Legislativa do Distrito Federal



O ex-secretário executivo da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) Fernando de Sousa Oliveira, primeiro depoente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga os atos antidemocráticos em Brasília na Câmara Legislativa do Distrito Federal declarou que a Polícia Militar (PM-DF) não cumpriu o planejamento da secretaria para impedir o ato golpista do dia 8 de janeiro, quando radicais depredaram as sedes dos Três Poderes.
“Algumas orientações, não sei por que, não foram cumpridas. Eram orientações como: ficar em condições de pegar tropas especializadas em controle do distúrbio civil, não permitir acesso de pessoas e veículos à Praça dos Três Poderes, manter reforço de efetivo nas adjacências, no perímetro interno, em toda a extensão da esplanada, bem como na Rodoviária de Brasília. Vocês vão ter oportunidade de esclarecer, onde estavam essas tropas, cadê esse efetivo. Vão poder questionar a Polícia Militar cadê o efetivo. Porque não foi cumprido", disse à CPI.
Fernando de Sousa Oliveira era o secretário em exercício da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) no dia 8 de janeiro, já que o titular da pasta, Anderson Torres, estava de férias nos Estados Unidos. Torres está preso após determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) por omissão.
No seu depoimento, Fernando ainda afirmou que a PM-DF não resistiu a invasão, demonstrando "passividade" ante os golpistas.
“Praticamente não teve resistência à invasão. Não posso fazer juízo de valor, mas há uma certa passividade. […] A PMDF é uma polícia de excelência, executou ações como bastante êxito. Em 7 de setembro foi cumprido o protocolo, 15 de novembro, eleições, posse do Lula. Em tudo o plano foi cumprido. O grande questionamento é saber por que o departamento de operações da PM não planejou e não executou o plano que foi acordado na sexta-feira”, questionou o ex-secretário.
A CPI irá apurar atos antidemocráticos que aconteceram em Brasília em 12 de dezembro de 2022 e 8 de janeiro deste ano. Na primeira data, bolsonaristas tentaram invadir a sede da Polícia Federal. Com duração de 180 dias, a CPI pode, se necessário, ser prorrogada por mais 90.