POLÍTICA
'Exoneração de servidor aponta para existência de esquema', diz senador



Após reportagem da Folha de S.Paulo apontar que o diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, cobrou propina de US$ 1 por cada dose na negociação de compras da vacina da Astrazeneca, a pasta decidiu exonerar o servidor. A medida, tomada em pouco tempo e sem nenhuma investigação é para o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), membro da CPI da Covid-19 um indício da existência do esquema.
"São fatos muito graves que precisam ser bem apurados, a gente sabe do momento turbulento da política, mas tudo aponta e a própria exoneração do servidor logo em seguida aponta para existência de um esquema de corrupção que seguramente, além de prejuízos para os cofres públicos, atrapalhou muito o combate à pandemia", disse o senador ao UOL News nesta quarta-feira, 30.
O servidor foi acusado por Paulo Dominguetti Pereira, representante da Davati Medical Supply, empresa que tentou negociar com o governo de Jair Bolsonaro a venda de 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca. O laboratório anglo-sueco AstraZeneca, por sua vez, negou, em comunicado, a utilização de intermediários para negociar com governos.
Paulo Dominguetti deverá ser convocado para depor na Comissão Parlementar de Inquérito (CPI). O colegiado quer apurar mais essa denúncia de práticas delituosas do governo na aquisição de imunizantes contra a covid-19.
O deputado federal Luís Miranda (DEM-DF), que afirma ter alertado o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) da suposta fraude na compra do imunizante indiano através da intermediária Precisa Medicamentos, também relatou a Crusoé ter recebido uma oferta de propina para que ele não denunciasse as supostas irregularidades e atrapalhasse o negócio.
"Apresentamos pedidos de convocação tanto do (deputado) Luís Miranda para sessão secreta da CPI para que ele possa explicar essa nova denúncia que fez na revista Crusoé", contou Alessandro Vieira.