POLÍTICA
Governo elege nomes rejeitados para Conselho da Petrobras
Argumentos apontados para negativa são de que indicados poderiam ter conflitos de interesses



Nessa sexta-feira, 19, a Assembleia Geral de Acionistas da Petrobras elegeu os novos integrantes do Conselho de Administração. Mesmo depois de três negativas, os nomes de Ricardo Soriano e Jonathas Assunção foram aprovados para compor o Conselho de Administração da Petrobras. Soriano é chefe da Procuradoria da Fazenda Nacional e Assunção o Secretário Executivo do Ministério da Casa Civil.
Durante a Assembleia, o representante da Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET), Fernando Siqueira, chegou a se manifestar contra a realização da AGE com os nomes de Soriano e Assunção, alegando uma “intervenção do governo na Petrobras”. Entretanto, a mesa diretora da Assembleia ratificou as indicações do governo federal, e realizou as eleições com os nomes inelegíveis pelo Celeg.
Conselheiros ouvidos pela CNN chamaram de ‘rolo compressor’ a estratégia do governo federal de manter os nomes mesmo com as recusas. Desde que a estrutura de integridade da Petrobras foi completamente reformada em 2016, não há situação apontada por eles como semelhante a essa. A nomeação deles ao Conselho da Petrobras pode ser questionada pela Comissão de Valores Mobiliários.
Os argumentos apontados pela área de Conformidade/Compliance da Petrobras, que foram reforçados pelo Comitê de Pessoas e pelo Conselho de Administração são de que Soriano e Assunção poderiam ter conflitos de interesses caso assumissem cadeiras no conselho.
No caso de Soriano, ele poderia estar em dois lados da mesma mesa em ações da União contra a Petrobras ou vice-versa. No caso de Assunção, como funcionário do Ministério da Casa Civil, o mesmo problema – com um agravante de, por ocupar cargo político, poderia ferir a Lei das Estatais.
O Ministério de Minas e Energia disse que não concordou com os apontamentos dos colegiados e decidiu manter os nomes.
Das oito vagas, seis são indicadas pela União e as outras duas pelos acionistas minoritários. Os representantes dos acionistas minoritários, Marcelo Gasparino e João Abdalla Filho, mantiveram as duas cadeiras que já possuíam no Conselho.
O novo presidente do Conselho será Gileno Gurjão, diretor-presidente do Serpro, órgão de processamento de dados do governo federal. Como o órgão é vinculado à Secretaria Especial de Desburocratização, Gurjão era subordinado ao presidente da Petrobras, Caio Mario Paes de Andrade, que ocupava o cargo de secretário.
Foram eleitos para o Conselho de Administração da Petrobras:
Marcelo Gasparino (pelos minoritários)
José João Abdalla (pelos minoritários)
Edison Costa (pela União)
Gileno Gurjão (pela União)
Caio Mario Paes (pela União)
Ricardo Soriano (pela União)
Jonathas Assunção (pela União)
Ieda Aparecida (pela União)