ADAPTAÇÃO
Governo Lula tem ‘dor de cabeça’ com ministros em início de jornada
Com a adaptação de ex-governadores nos ministérios, interlocutores apontam que cenário é "natural"



O governo Lula (PT) teve momentos de ‘dor de cabeça’ com ministros nos cem primeiros dias, com casos que envolveram até a desautorização dos parlamentares pelo líder petista. As informações foram divulgadas neste sábado, 8, pelo jornal Folha de S. Paulo. Nas ocasiões em que não foi o presidente responsável pelo ‘embate’ direto, algum membro do Palácio ficou com a responsabilidade de garantir que alguma tomada de decisão de um mostre fosse contestada.
O episódio recente envolveu o ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia), que foi desautorizado por Lula de fazer uma nova política de preços na Petrobras.
Silveira tinha dito na última quarta-feira, 5, que a empresa adotaria o modelo de preço de competitividade interna (PCI), que possibilitaria a queda de preço do diesel em até R$ 0,25 por litro. No entanto, um dia depois, Lula disse que foi pego de surpresa e fez o ministro recuar da decisão.
O petista disse que o governo vai fazer alterações na política de preços da estatal, mas cada passo será dado após a sua aprovação. Afirmação foi feita após investidores ficarem ‘desgostosos’ com o anúncio do titular da pasta de Minas e Energia.
Dos 37 ministros de Lula, 9 são ex-governadores, a exemplo do ex-gestor da Bahia, Rui Costa (PT), que hoje ocupa a Casa Civil. E o fato das política públicas precisarem ser subordinadas ao ex-governador baiano também estaria causando estresse, ainda segundo interlocutores ouvidos pela publicação.
O desafio estaria relacionado com o fato de muitos tomarem decisões sem a necessidade de um aval, a exemplo daquele que precisa ser dado por Lula, quando eram governadores.