POLÊMICA
Jean Wyllys sugere plantações de maconha no Nordeste: "Aproveitar o sol"
Ex-deputado federal ainda chamou a "esquerda de covarde"

O ex-deputado federal Jean Wyllys (PT-SP) falou sobre a sua relação pessoal e política com a cannabis. Segundo o ativista, a legalização e regulamentação das drogas será uma das principais bandeiras de sua campanha eleitoral em 2026.
Wyllys também criticou, em entrevista à revista Breeza, o que chamou de “timidez da esquerda” no debate sobre o tema.
“A esquerda segue covarde. Tem cara que usa Viagra e toma uísque, mas é capaz de fazer uma fala contra o usuário de cannabis e chamá-lo de maconheiro”, disse ele.
O petista falou que pretende recuperar o projeto apresentado por ele em 2014 para regulamentar o uso recreativo e medicinal de substâncias hoje proibidas.
De acordo com ele, o debate é inseparável de temas como racismo, encarceramento em massa e violência policial.

Ao defender uma nova abordagem para o tema, o ex-deputado afirmou que “toda proibição cria crime organizado” e argumentou que o país poderia explorar o potencial econômico da cannabis.
Ele citou usos medicinais, recreativos e industriais do cânhamo, que é um tipo de cannabis, mas com uma diferença chave: ele tem níveis muito baixos de THC (a substância que causa efeito psicoativo).
O Brasil poderia aproveitar o sol do Nordeste para ter plantações enormes.
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Resistência à regulamentação
Para Wyllys, a resistência à regulamentação ignora evidências internacionais e transforma casos de abuso em justificativa para políticas proibicionistas.
“As pessoas usam como regra para construir uma política de proibição que atinge a todos”, afirmou.
Além disso, ele falou sobre o uso terapêutico da planta. Disse ter recorrido inicialmente a medicamentos alopáticos para tratar uma depressão ansiosa e que hoje faz transição para tratamento canábico acompanhado por psiquiatra.
Ele admite, no entanto, cautela no uso recreativo:
Quando uso THC, se fumo mais do que o normal, entro numa onda mística. Começo a ter insights, revelações dos segredos do universo.
Ao comentar sobre psicodélicos, como ayahuasca e cogumelos, o ativista diz nunca ter experimentado. “Sou pisciano, não tenho terra no meu mapa. Falo comigo mesmo ‘será que vou viajar demais e vou ficar lá?’”, afirmou, rindo.
Por fim, o ex-deputado federal criticou o estigma em torno de certas substâncias. “Não existe cultura na história da humanidade que não tenha feito uso de drogas. As drogas são uma constante antropológica”, ressaltou.
“Os três pós mais nocivos para a humanidade são o açúcar, o sal e a farinha de trigo. Não é a cocaína”, finalizou.
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