INVISÍVEIS NO PÁTIO
Kleber Rosa denuncia abandono de motoristas no Aeroporto de Salvador
Pré-candidato do PSOL aponta condições subumanas diárias

O pré-candidato a deputado estadual Kleber Rosa (PSOL) apresentou uma denúncia contundente sobre a precariedade enfrentada pelos motoristas de aplicativo que operam no Aeroporto de Salvador.
Em visita ao local, o político constatou um cenário de abandono, já que sem infraestrutura básica, trabalhadores improvisam barracas para suportar a espera sob sol e chuva.
Logística de prejuízo
A dinâmica de trabalho atual impõe um fardo financeiro severo. O "bolsão" de espera fica a 7 quilômetros do terminal. Quando uma corrida é cancelada, o condutor deve retornar ao fim de uma fila que supera 70 veículos.
"O motorista percorre 14 quilômetros de forma improdutiva a cada cancelamento. Tudo é por conta deles: combustível, água e higiene. Não há um sanitário adequado", criticou Rosa, atribuindo a responsabilidade à concessionária do aeroporto e às plataformas de transporte.
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Dois pesos e duas medidas
A categoria também queixa-se de uma fiscalização desigual. De acordo com relatos colhidos pelo político, enquanto os motoristas cadastrados sofrem um rigor seletivo e restrições territoriais, o transporte clandestino atuaria com maior liberdade nas proximidades do terminal de desembarque.
"Não é apenas um debate trabalhista, é uma questão de dignidade humana", afirmou o pré-candidato.
Pressão
Kleber Rosa prometeu levar a pauta aos órgãos fiscalizadores. O objetivo é obrigar a concessionária e as empresas de tecnologia a garantirem o mínimo de estrutura sanitária e logística para os profissionais que sustentam a operação do aeroporto.
ALBA vai debater cobrança
A Comissão de Defesa do Consumidor e Relações de Trabalho da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) aprovou a realização de uma audiência pública para discutir a política de cobrança de estacionamento no Aeroporto Internacional Deputado Luís Eduardo Magalhães. O alvo é o sistema Kiss & Fly, operado pela concessionária Vinci Airports.
A regra atual permite apenas 10 minutos de gratuidade para embarque e desembarque no meio-fio. Caso o tempo seja ultrapassado, o usuário é obrigado a pagar uma tarifa de R$ 18.
O autor da proposta e presidente do colegiado, deputado Júnior Muniz (PT), quer esclarecer se a Prefeitura de Salvador autorizou a cobrança. Para o parlamentar, a medida prejudica severamente a logística de taxistas e motoristas de aplicativo.
Acessibilidade em xeque
O debate ganhou o apoio do deputado Euclides Fernandes (PT), que destacou a inviabilidade do tempo de tolerância para públicos específicos. "Idosos e pessoas com deficiência não têm como se adequar aos 10 minutos para entrar ou sair dos veículos", afirmou o petista, classificando a medida como excludente.
Passagens abusivas
A reunião também serviu de palco para críticas contundentes contra as companhias aéreas. O deputado Tiago Correia (PSDB) solicitou uma nova audiência para tratar do encolhimento das rotas domésticas na Bahia e dos preços elevados. Correia citou que um bilhete de Salvador para Vitória da Conquista chega a custar R$ 4 mil.
O relato foi endossado por Marcinho Oliveira (PDT), que afirmou ter pago R$ 3.280 por um trecho para Porto Seguro.
"É um valor de tarifa internacional. O Governo do Estado cumpre sua parte com isenções fiscais, e os voos operam com ocupação acima de 60%. Não há justificativa para esses preços", pontuou Oliveira.
As datas das audiências devem ser publicadas no Diário Oficial da Assembleia nos próximos dias, com a previsão de convocação de representantes da Vinci Airports e das empresas aéreas.
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