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Mistério cerca incêndios em prédios públicos

Regina Bochicchio
Por Regina Bochicchio
Incêndios no casarão Solar Boa Vista, onde funciona a Secult, ocorreu no último dia 3
Incêndios no casarão Solar Boa Vista, onde funciona a Secult, ocorreu no último dia 3 - Foto: Marco Aurélio Martins | Ag. A TARDE
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Não é coisa rara ou azar isolado do prefeito ACM Neto (DEM) incêndios como o que ocorreu no casarão Solar Boa Vista (Brotas) no último dia 3 de janeiro, onde funciona a Secretaria Municipal de Educação e Cultura (Secult). Incêndios em prédios públicos permeiam a história de Salvador. A reportagem mapeou 12 incêndios em órgãos públicos por amostras cronológicas - o mais antigo foi do Teatro Castro Alves, em 1958. Em 90% dos casos, um "provável curto-circuito" é a causa atribuída ao fogo.

Em pelo menos 40% deles houve suspeita de causa criminosa. Detalhe: dificilmente, ao final das contas, a perícia chega a uma conclusão sobre a verdadeira causa dos sinistros. Na maioria das vezes, segundo relatos da polícia técnica nas matérias publicadas, o argumento é que o fogo apaga o que poderia ser evidência de suposto crime.

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No caso do Solar Boa Vista, a tradição das interrogações deixadas no ar pode ser quebrada. Além de os vereadores criarem uma comissão suprapartidária para acompanhar a apuração das causas do fogo, o Ministério Público Federal entrou no jogo.

O procurador da República Vladimir Aras explica: "Em se tratando de bem tombado pelo Iphan, a atribuição para apurar a existência ou não de incêndio criminoso é do Ministério Público Federal".

Especulações acerca de propositada queima de arquivo foram aventadas por parte dos vereadores da Câmara Municipal, já que a secretaria é alvo de investigações pelo Ministério Público estadual com relação a contratos de serviço com a ONG Pierre Bourdieu.

Fogo no CAB - Antes do Solar Boa Vista, o último grande incêndio em prédios públicos aconteceu em 16 de julho do ano passado. O histórico prédio do Instituto do Cacau sofreu incêndio no terceiro pavimento, justamente onde funcionariam as novas instalações da Defensoria Pública do Estado. Tudo era novo. Como havia muito material inflamável no local, não se descobriram as causas do acidente.

Mas o Centro Administrativo da Bahia (CAB), por concentrar os órgãos estaduais, é o preferido dos incêndios, ou de quem os provoca. No dia 23 de fevereiro de 2005, pouco tempo após a reabertura dos trabalhos na Casa, as salas das 1ª e 2ª vice-presidências da Assembleia Legislativa foram destruídas por fogaréu.

O presidente da época, Clovis Ferraz, atribuiu ao excesso de aquecimento de algum aparelho elétrico, ligado logo cedo. Vinte e sete anos antes, o prédio da Assembleia foi parcialmente destruído por um grande incêndio. O presidente à época, Renan Baleeiro, afirmou que toda a biblioteca e arquivos haviam sido destruídos. O então governador Roberto Santos liberou verba para reconstrução do prédio que abriga o Poder Legislativo.

Em 2003, praticamente todo o prédio da Secretaria Estadual de Educação foi destruído. Mais uma vez a hipótese era a de curto-circuito. Toda a documentação foi perdida. O então governador Paulo Souto e a secretária, Anaci Bispo Paim, acompanharam o episódio e, desde então, a secretaria foi transferida para outro local no CAB. O prédio original? Continua abandonado e sem uso.

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