LUTO
Morre Manoel Dias, ex-ministro do Trabalho e cofundador do PDT
Maneca, 88 anos, estava hospitalizado para tratar complicações de um AVC



O ex-ministro do Trabalho e Emprego Manoel Dias, uma das figuras centrais na fundação do Partido Democrático Trabalhista (PDT), morreu neste sábado, 22, em Florianópolis-SC, aos 88 anos.
Popularmente chamado por aliados e correligionários pelo apelido de “Maneca”, ele estava hospitalizado na estrutura de saúde da capital catarinense para tratar de complicações de saúde decorrentes de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) ocorrido no ano anterior.
Lamento
Em publicação nas redes sociais, o presidente nacional da legenda pedetista, Carlos Lupi, lamentou a perda e destacou a dimensão histórica do ex-ministro para o movimento trabalhista no país.
Lupi exaltou a trajetória do dirigente — a quem se referiu com afeto como amigo pessoal —, afirmando que o empenho político de Maneca e a contribuição na estruturação das bases partidárias continuarão a guiar os rumos da agremiação e a servir de inspiração para as novas lideranças.
O dirigente acrescentou ainda que o ex-ministro agora se junta a nomes emblemáticos da sigla, como Leonel Brizola, Darcy Ribeiro, João Goulart e Getúlio Vargas, na salvaguarda dos ideais do partido.
Trajetória
Natural de Criciúma e com formação comunitária no Sul de Santa Catarina, Maneca deu os primeiros passos na vida pública durante os anos 1960, no movimento estudantil.
Em 1962, conquistou seu primeiro cargo eletivo ao se eleger vereador no município de Içara pelo antigo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).
O avanço da carreira, no entanto, sofreu um duro golpe com a eclosão do regime militar em 1964. Alvo de perseguição política, teve o mandato cassado e cumpriu 11 meses de prisão.
Anos mais tarde, desempenhou papel articulador na criação do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em solo catarinense, elegendo-se deputado estadual pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) em 1966.
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Repressão
A repressão voltou a atingi-lo em 1969, quando teve novamente o mandato cassado e perdeu os direitos políticos por uma década em decorrência do Ato Institucional nº 5 (AI-5).
Durante o período de afastamento forçado do cenário público, concluiu o bacharelado em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Com o advento da Lei da Anistia e a reorganização do quadro partidário no começo da década de 1980, Manoel Dias trabalhou ao lado de Leonel Brizola e de outros quadros históricos no processo de formação do PDT.
Dentro do partido, ocupou cargos de projeção nacional, assumindo a Secretaria-Geral da legenda e a presidência da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini.
O ponto alto da carreira no Executivo ocorreu entre 2013 e 2015, período em que esteve no comando do Ministério do Trabalho e Emprego ao longo do governo da presidente Dilma Rousseff.
Trabalhismo
Mesmo nos momentos em que não exercia cargos eletivos, Maneca seguiu como o principal nome do trabalhismo no estado catarinense e como conselheiro ativo da executiva nacional pedetista.
O ex-ministro deixa a esposa, dois filhos, noras e netos. Os ritos de despedida e as homenagens finais foram programados para ocorrer no Palácio Barriga Verde, sede da Alesc, reunindo familiares, correligionários e autoridades locais.


