FREIO DE ARRUMAÇÃO
Órgãos de controle apertam cerco contra gastos excessivos em contratações do São João
Durante encontro foram apresentadas propostas para combater distorções nas contratações

Representantes de órgãos de controle da Bahia se reuniram, na tarde desta segunda-feira, 9, no Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE/BA), para discutir critérios mais claros e transparentes para a contratação de artistas nos festejos juninos de 2026.
O encontro teve como base os dados do Painel dos Festejos Juninos e contou com a participação do TCE/BA, do Ministério Público da Bahia (MPBA), do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM/BA) e do Ministério Público de Contas (MPC/BA).
Durante a reunião, foram analisadas informações sobre os valores pagos a artistas nas festas juninas, que apontam variações expressivas de cachês entre municípios da Bahia e de outros estados do Nordeste. Esse cenário reforçou a preocupação dos órgãos com o impacto dessas contratações nos orçamentos municipais e com a necessidade de parâmetros técnicos que orientem as decisões dos gestores públicos.
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A promotora de Justiça e coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Proteção à Moralidade Administrativa (Caopam), Rita Tourinho, destacou a importância de se considerar a realidade das contratações realizadas pelo poder público. Segundo ela, a comparação com valores praticados em eventos privados, como o Carnaval, pode gerar distorções, uma vez que se tratam de contextos distintos das festas juninas promovidas pelos municípios.
Alternativas
Entre as alternativas debatidas, destacou-se a adoção da média dos valores pagos aos artistas no ciclo junino do ano anterior, compreendido entre 31 de maio e 31 de julho, com atualização pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
A média, por representar a soma de todos os valores dos contratos do artista, correspondentes ao ciclo junino, dividida pelo respectivo número de contratos, reduz distorções provocadas por valores extremos e permite comparações mais equilibradas entre as contratações.
Também foi discutida a criação de um mecanismo de alerta para contratações com valores significativamente acima do padrão. Nesses casos, a contratação não seria impedida, mas passaria a exigir justificativa mais detalhada, considerando o interesse público, o valor envolvido e a capacidade financeira do município.
Na avaliação da procuradora-geral do Ministério Público de Contas do Estado da Bahia, Camila Luz, a elaboração de uma nota técnica conjunta é fundamental para orientar a atuação dos gestores e dos órgãos de controle.
“A construção dessa nota técnica conjunta é essencial para estabelecer requisitos de controle nas contratações artísticas dos festejos juninos. Nosso objetivo não é impedir as contratações, mas assegurar que elas ocorram com critérios que preservem a saúde financeira dos municípios e garantam segurança jurídica aos gestores”, afirmou.
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