Busca interna do iBahia
HOME > POLÍTICA

FARRA DO CIMENTO

Pagamentos de R$ 26 milhões de prefeitura vira alvo de investigação

Contratos têm valores idênticos e foram firmados sob mesmo guarda-chuva jurídico

Rodrigo Tardio
Por
Di Cardoso (PRD), prefeito de João Dourado
Di Cardoso (PRD), prefeito de João Dourado - Foto: Reprodução | Instagram

A Prefeitura de João Dourado, gestão do prefeito Diamerson Costa Cardoso Dourado, conhecido como Di Cardoso (PRD), tornou-se alvo de uma investigação rigorosa no Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-BA). O foco está nos três contratos para o fornecimento de materiais de construção que, somados, atingem o montante de R$ 26.006.884,00.

As denúncias, protocoladas pelo vereador Abimael Dourado Lima Júnior (PSD), apontam supostas irregularidades no uso de processos de inexigibilidade de licitação para aquisições que, por natureza, deveriam seguir ritos competitivos.

Tudo sobre Política em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

O que mais chamou a atenção dos órgãos de controle foi a padronização financeira e técnica dos acordos. Apesar de envolverem empresas distintas, os três contratos possuem valores idênticos e foram firmados sob o mesmo guarda-chuva jurídico.

Leia Também:

ENTREVISTA EXCLUSIVA

Junior Marabá destaca Bahia Farm Show e pujança do agronegócio baiano
Junior Marabá destaca Bahia Farm Show e pujança do agronegócio baiano imagem

IRREGULARIDADES

Contratação de R$ 15 milhões é barrada em prefeitura baiana
Contratação de R$ 15 milhões é barrada em prefeitura baiana imagem

PORTAL MUNICÍPIOS

Cerveja impulsiona crescimento econômico de Alagoinhas
Cerveja impulsiona crescimento econômico de Alagoinhas imagem

Principais suspeitas

A representação enviada ao TCM detalha falhas estruturais nos processos administrativos que autorizaram os gastos milionários ao longo de 2025:

  • O uso do credenciamento (inexigibilidade) para compra de materiais de construção — itens comuns no mercado e com ampla oferta — é questionado, já que a lei exige licitação quando há viabilidade de competição.
  • A coincidência exata dos valores (R$ 8,6 milhões para cada empresa) sugere ausência de orçamento individualizado e possível falta de critério técnico.

O vereador aponta a inexistência de pesquisa de preços de mercado e a falta de clareza na qualificação técnica das empresas participantes.

"É inadmissível que compras de prateleira, como cimento e tijolos, sejam feitas sem o devido processo licitatório, impedindo o município de obter o melhor preço e ferindo os princípios da transparência", afirma a denúncia.

Trâmite no TCM

O Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-BA), decidiu unificar as três denúncias em um único processo devido à conexão dos fatos. Em decisão recente, o magistrado determinou que o agente de contratação, Adjaci Cardoso Dourado Vasconcelos, fosse incluído no polo passivo da ação.

Determinou ainda que o prefeito Di Cardoso e os demais envolvidos sejam notificados para apresentar justificativas em um prazo de cinco dias.

A Corte analisa agora o pedido de suspensão imediata dos pagamentos e dos contratos para evitar possíveis danos irreversíveis ao erário municipal.

Suspeita de fraude

Em outubro de 2025, o Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) já tinha aberto uma investigação para apurar supostas irregularidades em contratações de mão de obra para a construção civil no município de João Dourado. Os contratos sob suspeita ultrapassavam a cifra de R$ 10 milhões.

A investigação foi motivada por uma denúncia protocolada também pelo vereador Abimael Dourado Lima Júnior (PSD). De acordo com a representação, o prefeito Di Cardoso (PRD), teria utilizado o mecanismo de credenciamento para contratar, sem licitação, pessoas físicas e jurídicas para a execução de obras e serviços de engenharia.

Conta que não fecha

O ponto central que acendeu o alerta do órgão fiscalizador foi a planilha “Preço Referencial – Cotação 79/2025”, que prevê um montante de 85 mil diárias de trabalho.

Na prática, a distribuição dessa carga de trabalho geraria números alarmantes para a realidade local. As 85 mil diárias divididas pelos 365 dias do ano equivalem a cerca de 233 trabalhadores por dia.

Se considerado apenas o calendário de dias úteis (264 dias), o número salta para aproximadamente 322 operários em atividade por dia. Apenas para a função de servente, foram reservadas 40 mil diárias — o que representa pelo menos 110 serventes por dia útil.

Para o TCM, esse contingente é desproporcional e incompatível com o porte de João Dourado, que possui cerca de 25 mil habitantes. Além disso, a prefeitura não apresentou um cronograma detalhado, estudo técnico preliminar ou justificativa econômica que comprovasse a necessidade real dessa força de trabalho simultânea.

O que diz a lei

O TCM apontou que o modelo adotado pode ter contornado a obrigatoriedade de licitação. O credenciamento é um instrumento excepcional e não deve ser usado para serviços previsíveis e planejáveis, como obras civis, pois isso fere os princípios da concorrência, isonomia e impessoalidade. O correto, segundo o tribunal, seria a utilização do Registro de Preços.

Prazos

Apesar de identificar os indícios de irregularidade, o TCM optou por modular a medida cautelar para não paralisar os serviços essenciais do município de imediato. Os contratos atuais podem seguir vigentes por até quatro meses, tempo que a prefeitura terá para realizar um processo licitatório regular.

Após esse prazo de 120 dias, caso a licitação não ocorra, os repasses financeiros serão suspensos automaticamente.

O prefeito Di Cardoso tem o prazo de 20 dias para apresentar sua defesa formal ao Tribunal.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Compartilhar no Whatsapp Clique aqui

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

Tags

contratos públicos irregularidades administrativas joão dourado licitação prefeito Di Cardoso

Relacionadas

Mais lidas