OBRAS A CAMINHO
Ponte Salvador-Itaparica: Inema libera manejo de fauna por 5 anos
A licença tem validade de cinco anos e permite o monitoramento de espécies marinhas


O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) concedeu autorização para manejo de fauna à Concessionária Sistema Rodoviário Ponte Salvador Ilha de Itaparica S.A., responsável pela construção da Ponte Salvador-Itaparica, uma da maiores obras em infraestrutura da história da Bahia.
A licença tem validade de cinco anos e permite o levantamento, salvamento e monitoramento de espécies marinhas na Baía de Todos-os-Santos.
Segundo o documento assinado pelo diretor-geral do órgão, Eduardo Farias Topázio, o manejo envolve comunidades coralíneas, macroinvertebrados bentônicos, poríferos, ascídias, moluscos e espécies de peixes recifais presentes na área afetada pelas intervenções relacionadas ao empreendimento.
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A portaria também estabelece que a autorização se refere à análise de viabilidade ambiental feita pelo Inema, cabendo à concessionária obter anuências e autorizações de outros órgãos federais, estaduais ou municipais, quando necessário.
Seinfra fica com dragagem
Em outra medida publicada pelo instituto, o Inema transferiu para a Secretaria de Infraestrutura da Bahia (Seinfra) a titularidade da autorização ambiental para realização de dragagem na Baía de Todos-os-Santos, em Salvador.
A autorização havia sido concedida anteriormente à concessionária responsável pela Ponte Salvador-Itaparica.
As medidas de licença e de transferência da dragagem foram publicadas no Diário Oficial do Estado (DOE) desta quarta-feira (13).
Tecnologia a caminho
Um navio vindo diretamente da China deve atracar em águas baianas carregando 44 contêineres com equipamentos e tecnologias inéditas. Com um investimento de R$ 15 bilhões, o projeto entra em uma fase técnica crucial.
A embarcação deve trazer o aço e os componentes necessários para a instalação de uma plataforma provisória no fundo da Baía de Todos-os-Santos, que servirá de suporte logístico para as equipes de engenharia.
Tecnologia chinesa reduz custos e tempo
Com isso, o grande diferencial desta etapa é a logística otimizada. Segundo a concessionária responsável, o uso dessa plataforma tecnológica vinda da Ásia permitirá reduzir em até 70% a dependência de navios de apoio durante a construção.
Essa estrutura flutuante funcionará como um canteiro de obras avançado no mar, facilitando o transporte de trabalhadores, insumos e maquinário pesado, garantindo que o cronograma avance com maior precisão.
Números que impressionam
A magnitude da obra é traduzida em dados que saltam aos olhos:
- Extensão: 12,4 km de comprimento.
- Volume de concreto: 660 mil m³ (equivalente a 7,5 estádios do Maracanã).
- Empregos: previsão de gerar 7 mil postos de trabalho diretos.
- Impacto regional: Benefício direto para 10 milhões de pessoas em 250 municípios.
Cronograma
As obras ganharão corpo em três frentes simultâneas a partir de junho: em Salvador, na Ilha de Itaparica e no centro da baía. A estratégia visa atacar os pontos mais complexos de forma coordenada.
A previsão é que o sistema viário, que inclui 4,4 km de novos acessos na capital e uma via expressa de 22 km na ilha, seja totalmente entregue em junho de 2031.
Quanto custará o pedágio?
Um dos pontos de maior interesse da população é o custo da travessia. As estimativas atuais apontam que os valores do pedágio devem variar entre R$ 64,70 e R$ 91,70, a depender do dia da semana e do tipo de veículo.
Além de encurtar a distância entre a capital e o sul do estado, a expectativa é que a ponte impulsione o turismo e a economia da região, transformando o fluxo logístico da Bahia.


