POLÊMICA
Prefeitura de Jiquiriçá restringe acesso a patrimônio material
População teme que a cobrança de R$ 30 reais e abertura de cachoeira só aos finais de semana, possa elitizar acesso


Um dos cartões-postais mais emblemáticos do Vale do Jiquiriçá, a Cachoeira dos Prazeres, patrimônio público e motor econômico da região, vive um novo capítulo na história. A Prefeitura do município de Jiquiriçá, a qual já havia entregue o local à iniciativa privada, resolveu determinar a abertura da área, somente aos sábados, domingos e feriados.
A população teme que a cobrança e a restrição, na atual gestão do prefeito Lucas de Deraldo (PSB), possa elitizar o acesso a um bem natural, dificultando o lazer das famílias de baixa renda. Há também o receio de que a concessionária priorize o lucro sobre a real recuperação da bacia hidrográfica e que a identidade cultural do uso tradicional do espaço seja perdida.
A situação é acompanhada de perto por órgãos de controle. O Ministério Público (MP-BA) monitora processos dessa natureza para assegurar que o Plano de Manejo seja respeitado e que o direito de ir e vir não seja cerceado de forma abusiva.
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A medida, que já está em vigor, busca equilibrar a exploração turística com a preservação ambiental, mas tem sido alvo de intensos debates entre moradores e ambientalistas.
Modelo de gestão
A assinatura do contrato de concessão para administração privada, por um período de 10 anos, foi realizado na gestão anterior do prefeito João Fernando Alves, conhecido como Cascalho (PSB).
A vencedora da licitação foi a empresa RDS Serviços Ltda., empresa do município de Valença, com uma proposta no valor global de R$ 789.000,00. O contrato é válido até novembro de 2034.
A concessionária tem a responsabilidade de ordenar o fluxo de visitantes e manter a infraestrutura.
Os pilares do projeto, incluem:
- melhoria de banheiros, acessibilidade e reforço na segurança.Sustentabilidade: Implementação de programas rígidos de coleta de lixo e conservação da mata ciliar
- controle do número de pessoas para evitar a superlotação e a poluição do Rio Jiquiriçá
Com a mudança, regras mais rígidas foram estabelecidas: há horários fixos para visitação e restrições à entrada de recipientes de vidro ou materiais que gerem grande volume de resíduos.
Valores
A principal mudança sentida no bolso do visitante é a cobrança de ingresso. Para mitigar o impacto sobre a população local, o decreto estabelece uma diferenciação de valores para residentes de 39 municípios das regiões do Vale do Jiquiriçá e do Recôncavo Baiano.
Visitante geral - R$ 30,00 (inteira) e R$ e 15,00 (meia-entrada)
Moradores do Vale e Recôncavo - R$ 15,00 (inteira) e R$ 7,50 (meia-entrada)
Veja os municípios, cujos moradores vão ter o desconto.
Vale do Jiquiriçá
Amargosa, Brejões, Cravolândia, Elísio Medrado, Irajuba, Itaquara, Itiruçu, Jaguaquara, Jiquiriçá, Lafaiete Coutinho, Laje, Lajedo do Tabocal, Maracás, Milagres, Mutuípe, Nova Itarana, Planaltino, Santa Inês, São Miguel das Matas e Ubaíra.
Recôncavo Baiano
Cabaceiras do Paraguaçu, Cachoeira, Castro Alves, Conceição do Almeida, Cruz das Almas, Dom Macedo Costa, Governador Mangabeira, Maragogipe, Muniz Ferreira, Muritiba, Nazaré, Salinas da Margarida, Santo Amaro, Santo Antônio de Jesus, São Felipe, São Félix, Sapeaçu, Saubara e Varzedo.
A reportagem procurou o prefeito Lucas de Deraldo (PSB), o qual não atendeu as ligações e nem concedeu retorno.


