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Quem foi Ali Khamenei, o aiatolá que comandou o Irã por mais de 30 anos

Líder supremo desde 1989, ele concentrou poder político, militar e religioso no país e marcou décadas de tensão

Luan Julião

Por Luan Julião

28/02/2026 - 19:50 h

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Líder supremo iraniano, Ali Khamenei
Líder supremo iraniano, Ali Khamenei -

Uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos em conjunto com Israel atingiu o Irã neste sábado, 28. O presidente americano, Donald Trump, classificou a ação como “grandes operações de combate” e afirmou que o objetivo era eliminar as forças armadas iranianas e destruir o programa nuclear do país.

Em publicação na rede Truth Social, Trump declarou que o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, morreu durante os ataques. No texto, o republicano afirmou que a morte representaria justiça para iranianos, americanos e cidadãos de outros países que, segundo ele, teriam sido vítimas do líder religioso. O presidente também sustentou que a ofensiva teve como finalidade “defender o povo americano” diante do que chamou de ameaças do governo iraniano.

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Quem era Ali Khamenei

Khamenei tinha 86 anos e ocupava o posto de líder supremo desde 1989. No sistema político iraniano, ele concentrava autoridade sobre os três poderes, as Forças Armadas e o Judiciário. Embora existam autoridades eleitas responsáveis pela administração cotidiana, decisões estratégicas, especialmente relacionadas aos Estados Unidos, dependiam de sua aprovação.

O controle exercido por Khamenei sobre a estrutura teocrática do país, combinada a mecanismos limitados de participação democrática, consolidou seu domínio ao longo de décadas.

De sucessor improvável ao centro do poder

Quando assumiu o cargo após a morte do fundador da República Islâmica, Ruhollah Khomeini, Khamenei era visto como uma escolha inesperada. À época, não possuía o status religioso de aiatolá, o que dificultava o exercício da autoridade espiritual prevista pelo sistema iraniano.

Com o passar dos anos, no entanto, ele fortaleceu sua posição ao estruturar um aparato de segurança leal diretamente a ele. A desconfiança em relação ao Ocidente — sobretudo aos Estados Unidos — tornou-se uma marca de sua liderança. Após protestos internos, chegou a responsabilizar Trump pela instabilidade no país, classificando o presidente americano como criminoso pelas consequências de suas ações contra o Irã.

Pragmatismo estratégico

Apesar da rigidez ideológica, Khamenei demonstrou disposição para adotar concessões táticas quando considerava necessário para preservar o regime. Em 2013, apresentou o conceito de “flexibilidade heroica”, que admitia acordos pontuais para alcançar objetivos estratégicos, referência semelhante à decisão de Khomeini de aceitar um cessar-fogo com o Iraque em 1988, após oito anos de guerra.

Seguindo essa lógica, apoiou de forma cautelosa o acordo nuclear firmado em 2015 entre o Irã e seis potências mundiais, avaliando que o alívio das sanções ajudaria a estabilizar a economia e reforçar o controle interno.

O pacto, entretanto, foi abandonado por Trump em 2018, durante seu primeiro mandato, quando os Estados Unidos restabeleceram sanções severas. Em resposta, Teerã passou a descumprir gradualmente as limitações impostas ao seu programa nuclear.

Repressão interna e base de sustentação

Nos momentos de maior pressão doméstica, Khamenei contou com a atuação da Guarda Revolucionária Islâmica e da Basij, forças responsáveis por reprimir manifestações. Esses grupos atuaram contra protestos após a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad, em 2009, e também em 2022, quando manifestações eclodiram após a morte sob custódia da jovem Mahsa Amini. A repressão voltou a ocorrer em novos atos registrados em janeiro.

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Parte significativa de seu poder também esteve ligada ao Setad, um império financeiro paraestatal sob seu controle direto, avaliado em dezenas de bilhões de dólares e responsável por investimentos bilionários na estrutura da Guarda Revolucionária.

Trajetória marcada por conflitos

Estudiosos estrangeiros descreviam Khamenei como um líder reservado e atento a possíveis traições. Em 1981, sobreviveu a um atentado com bomba escondida em um gravador, ataque que deixou seu braço direito paralisado. Ainda jovem, foi preso diversas vezes por atividades políticas durante o regime do xá, relatando ter sofrido torturas.

Após a Revolução Islâmica, aproximou-se da Guarda Revolucionária enquanto ocupava o cargo de vice-ministro da Defesa, especialmente durante a guerra contra o Iraque (1980-1988). Mais tarde, venceu a eleição presidencial com o apoio de Khomeini e, mesmo sem o mesmo apelo popular ou credenciais clericais do antecessor, foi escolhido para sucedê-lo no comando máximo do país.

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Tags:

Ali Khamenei estados unidos Guarda Revolucionária Irã operacão militar programa nuclear

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