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'Quem tem que cuidar de Gaza são os palestinos', diz Lula a Trump

Presidente norte-americano propõe plano dos EUA assumirem o controle da Faixa de Gaza

Redação
Por Redação
Lula falou a rádios mineiras da situação dos brasileiros deportados e das disputas comerciais diante do governo Trump
Lula falou a rádios mineiras da situação dos brasileiros deportados e das disputas comerciais diante do governo Trump - Foto: Jose Cruz | Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o plano anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de assumir o controle da Faixa de Gaza nesta quarta-feira, 5, e disse ser "praticamente incompreensível".

"Os EUA participaram do incentivo a tudo que Israel fez na Faixa de Gaza. Então, não faz sentido se reunir com o presidente de Israel e dizer: 'nós vamos ocupar Gaza, vamos recuperar Gaza, vamos morar em Gaza.' E os palestinos vão para onde, onde vão viver? Qual o país dele?", indagou Lula em entrevista a rádios de Minas Gerais.

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"Então, é uma coisa praticamente incompreensível para qualquer ser humano. Cada um governa o seu país e vamos deixar os outros países em paz”, acrescentou o petista.

"O que aconteceu em Gaza foi um genocídio, e eu sinceramente não sei se os Estados Unidos, que fazem parte de tudo isso, seriam o país para tentar cuidar de Gaza. Quem tem que cuidar de Gaza são os palestinos. O que eles precisam é ter uma reparação de tudo aquilo que foi destruído, para que possam reconstruir suas casas, hospitais, escolas, e viver dignamente com respeito", sugeriu o Lula.

"É por isso que nós defendemos a criação do Estado Palestino, igual o Estado de Israel, e estabelecer uma política de convivência harmônica, porque é disso que o mundo precisa. O mundo não precisa de arrogância, de frases de efeito. O mundo precisa de paz e tranquilidade", opinou o brasileiro.

"Os EUA foram vendidos como o símbolo da democracia mundial, se autodeterminaram como juiz do planeta. Uma fábula de dinheiro é gasta com armamento todo santo dia. Não pode mudar agora repentinamente do país que vendia a ideia da paz para o país que vende a ideia da provocação, da discordância", declarou Lula.

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Questionado na entrevista, Lula comentou a situação dos brasileiros deportados dos EUA. O presidente disse que um novo voo deve chegar na próxima sexta, 7, e que o governo trabalha para melhorar as condições de recepção dos grupos.

"Aí, nós vamos ver quantas pessoas tem, de que estado são, para a gente poder cuidar quando chegar aqui. Estamos conversando com o Itamaraty e com a Polícia Federal, para que a gente possa ter todos esses dados ainda na Louisianna, onde eles embarcam. Para que a gente possa se preparar", explicou Lula.

Ainda no tema internacional, Lula foi questionado sobre as disputas comerciais e territoriais que Trump abriu com outros países desde a posse, em 20 de janeiro. O presidente afirmou que "os EUA também precisam do mundo" e que Trump terá de aprender a "conviver harmonicamente com Brasil, México, China".

"Você tem um tipo de político que vive de bravata. O presidente Trump fez a campanha assim, tomou posse e já anunciou ocupar a Groenlândia, anexar o Canadá, mudar o nome do Golfo do México para Golfo da América, retomar o Canal do Panamá. Nenhum país pode brigar com todo mundo todo o tempo", comentou.

O presidente brasileiro voltou a dizer ainda que, se Trump levar adiante a ideia de aumentar a taxação sobre produtos brasileiros, o Brasil adotará a reciprocidade portanto, também elevará suas tarifas.

"É o mínimo de decência, usar a lei da reciprocidade. Para nós, o que seria importante é os EUA baixar a taxação e nós baixarmos a taxação. Mas se ele ou qualquer país aumentar a taxação com o Brasil, nós iremos usar a reciprocidade. Iremos taxar eles também. É simples e é muito democrático."

"Os EUA estão se isolando do mundo. E isso não é importante, nem pra eles nem para o mundo. Como que a gente vai prescindir de um país do tamanho da China, da Índia, da Rússia, do México, dos países africanos? É preciso bom senso", finalizou.

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'deportados' EUA faixa de gaza Israel Lula Palestina Taxação trump

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