POLÍTICA
Representante da Davati e deputado Luís Miranda trocam acusações na CPI da Covid



O policial militar e representante da empresa Davati Medical Supply, Luiz Paulo Dominghetti Pereira, afirmou à CPI da Covid-19 nesta quinta-feira, 1, que o deputado Luis Miranda (DEM-DF), responsavel pela denúncia do esquema de irregularidades da Covaxin, tentou negociar a compra de vacinas com a empresa.
De acordo com Dominghetti, Miranda buscou diretamente o representante da Davati no Brasil, Cristiano Carvalho, para tratar da compra direta dos imunizantes. Em seguida, o depoente apresentou um áudio à CPI da Covid no qual Luis Miranda supostamente trata da intermediação de compra de vacinas, mas no qual a palavra "vacina" não é citada em nenhum momento.
À CPI, Dominghetti afirmou que o audio foi encaminhado por Cristiano Carvalho, que desmentiu as acusações feitas por Dominghetti ao jornal O Globo ao dizer que o depoente estaria "querendo aparecer" e afirmou que o audio do deputado Luis Miranda não tinha relação com vacinas, apesar de não saber precisar o que estava sendo negociado. "Acredito que sobre os negócios dele nos EUA. Não tem nada uma coisa com a outra", disse.
Após a acusação de Dominghetti, o deputado Luis Miranda se dirigiu ao Senado Federal e acusou o depoente de estar mentindo.
"Vou mandar prender ele agora. Ele está mentindo", afirmou ao explicar que o audio apresentado por Dominghetti é datado de 15 de outubro do ano passado e se refere a uma negociação envolvendo sua empresa nos Estados Unidos e a compra de luvas cirúrgicas. "Resta saber quem plantou esse cara na CPI", pontuou Miranda.
Ao prosseguir com o depoimento, Dominghetti confirmou o pedido de propina de US$ 1 por dose por parte do ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, mas afirmou que qualquer pagamento ou evolução do processo não foi concretizado.