INDÚSTRIA NAVAL
Retomada de estaleiro é fruto de luta da FUP, diz Deyvid Bacelar
SIndicalista participou da entrega das primeiras barcaças construídas no Estaleiro Enseada do Paraguaçu e no Canteiro de São Roque

O coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros e Petroleiras (FUP), Deyvid Bacelar, destacou nesta segunda-feira, 26, a importância da luta de petroleiros e petroleiras pela retomada das atividades da indústria naval brasileira.
Ao lado do governador Jerônimo Rodrigues, de parlamentares e de empresários ligados ao setor naval, Bacelar ressaltou o papel da FUP como interlocutora nas diversas audiências públicas realizadas em municípios do Recôncavo baiano.
“Hoje podemos festejar a construção de grandes embarcações aqui em Maragogipe”, disse Bacelar, durante o evento de entrega das primeiras barcaças construídas no Estaleiro Enseada do Paraguaçu e no Canteiro de São Roque, em Maragogipe, no Recôncavo baiano, após anos de estagnação.
Leia Também:
Segundo Bacelar, a Petrobras encomendou ao Estaleiro Enseada do Paraguaçu, em Maragogipe, a construção de seis navios híbridos de apoio offshore de grande porte (PSVs/OSRVs), com investimento de aproximadamente R$ 2,6 bilhões. Através de uma parceria com a Compagnie Maritime Monegasque (CMM), estão sendo produzidos seis navios híbridos de grande porte (5.000 DWT), tipo PSVs-OSRVs, destinados à movimentação de cargas e apoio a plataformas. Além dos navios, o canteiro de São Roque do Paraguaçu, pertencente à Petrobras, está sendo cotado para o descomissionamento de plataformas da estatal.
O sindicalista explica que foi realizada também uma encomenda de 80 unidades feita pela empresa LHG Logística, braço da mineradora LHG Mining, do grupo J&F. O projeto da LHG abrange 400 balsas e 15 empurradores, que estão sendo construídos em estaleiros do Norte e Nordeste, e conta com um financiamento de R$ 3,7 bilhões do Fundo da Marinha Mercante (FMM), realizado via BNDES.
A ideia, diz Bacelar, é viabilizar o transporte hidroviário de minério de ferro e manganês extraído em Corumbá (MS) até o terminal marítimo de Nova Palmira, no Uruguai. “Somente no Enseada do Paraguaçu, o investimento será de R$ 611 milhões”, informou.
Do total financiado, 87% já estão sendo aplicados em estaleiros das regiões Norte e Nordeste – além do Enseada, os amazonenses Juruá e Rio Amazonas e o paraense Rio Maguari. Nos últimos meses, o Estaleiro Enseada foi responsável pela criação de 940 postos de trabalho diretos e indiretos. A reativação do setor naval na Baía de Todos-os-Santos já está impulsionando a economia do Recôncavo Baiano com encomendas expressivas, principalmente da Petrobras.
“As embarcações estão sendo construídas no Estaleiro Enseada, em São Roque do Paraguaçu, com mão de obra local, fortalecendo a região. Tudo isso tem contribuído para a retomada da indústria naval brasileira”, ressaltou Bacelar, que é membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS) do governo Lula (o chamado Conselhão).
Impulsionada por novas encomendas, incluindo iniciativas ligadas à Petrobras e ao financiamento de R$ 3,7 bilhões da LHG para logística, a retomada das atividades voltou a gerar empregos e dignidade na região após anos de estagnação.
“Trata-se de um marco importante para o desenvolvimento socioeconômico do estado da Bahia, principalmente municípios do Recôncavo baiano e, claro, a cidade de Maragogipe”, destacou Deyvid.
Desde o anúncio da retomada, a expectativa é de que sejam gerados 1000 empregos diretos e 2000 empregos indiretos na região. De acordo com o sindicalista, a Petrobras fundou o Canteiro de São Roque do Paraguaçu em 1977, após a compra do antigo prédio da Estrada de Ferro Nazaré.
Do Canteiro, partiram as estruturas fundamentais da primeira fase de exploração da Bacia de Campos. Em meados de 2003, por exemplo, foi efetivada a construção de obras como a plataforma de Peroá - Cangoá (PPER-01), destinada à produção de gás no estado do Espírito Santo; a plataforma de Rebombeio Autônoma (PRA-1), implantada na Bacia de Campos (RJ); a plataforma do Campo de Manati (PMNT-01), instalada em Cairu (BA).
Já no Estaleiro Enseada do Paraguaçu, empreendimento privado erguido entre 2009 e 2012 pelo consórcio Odebrecht, Kawasaki, OAS e UTC, foram construídas duas plataformas auto elevatórias (montadas no Canteiro de São Roque): a P-59 e a P-60, com investimentos da ordem de R$1,7 bi, na época.
“A foz do Rio Paraguaçu, na Baía de Todos-os-Santos, é considerada um dos melhores lugares do país para a implantação de estaleiros. Com águas profundas e abrigadas, foi lá que a fabricação de navios teve início no Brasil. A Bahia é considerada o berço dessa atividade”, lembrou Bacelar.
“O Estaleiro Enseada do Paraguaçu e o Canteiro de São Roque continuarão tendo uma importância fundamental para a produção do pré-sal e para a sedimentação da indústria naval brasileira”, frisou.
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
Compartilhe essa notícia com seus amigos
Siga nossas redes




