NEGOCIAÇÃO
Setores veem risco para economia com tarifaço e pedem diálogo com EUA
Entidades querem que governo evite retaliação


Entidades empresariais defenderam que o governo Lula insista nas negociações com o governo Donald Trump em vez de uma retaliação, como uma resposta ao governo Donald Trump por conta do tarifaço.
O posicionamento vem após o Palácio do Planalto anunciar que que prepara o uso da chamada Lei de Reciprocidade contra as novas tarifas. O setor teme que a medida escale a tensão com os EUA.
Este é o segundo tarifaço contra produtos brasileiros anunciado pelos Estados Unidos nos últimos dias. O primeiro, de 25%, tem relação com o entendimento da Casa Branca de que o Brasil adota práticas desleais na economia contra empresários americanos.
Os EUA aplicou tarifa extra de 12,5% aos produtos brasileiros com o argumento de que o Brasil e outros países falharam ao proibir ou fiscalizar a importação de mercadorias produzidas em locais onde há trabalho forçado.
Em resposta, o Planalto disse que a medida tem “caráter completamente arbitrário e injustificado” e, por isso, o governo iniciará “imediatamente” os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade e levará o tema à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Reações
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) divulgou uma nota na qual afirmou que vê a decisão americana com “preocupação”, mas que confia na capacidade da diplomacia brasileira para “construir soluções”.
“A entidade ressalta que não apoia a adoção de medidas de retaliação comercial nem a aplicação da Lei de Reciprocidade como resposta às iniciativas adotadas pelos Estados Unidos”, afirmou a Abimaq.
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Na mesma linha, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) divulgou um comunicado afirmando que a decisão dos EUA “agrava” as condições de acesso das exportações brasileiras ao mercado norte-americano, mas que não concorda com a reciprocidade.
"A AmCham Brasil reitera que medidas de reciprocidade não contribuem para superar as divergências atuais e apresentam elevado risco de provocar uma escalada política e comercial, agravando os impactos econômicos para empresas, trabalhadores e consumidores brasileiros”, afirmou a entidade.
JÁ a Confederação Nacional da Indústria (CNI) defendeu que o Brasil continue negociando com os Estados Unidos.
“Essa é a opção número um que existe neste momento: continuar negociando”, reiterou o presidente da entidade, Ricardo Alban.


