POLÍTICA
“Supersecretário” quer usar poderes para vencer burocracia em Salvador
Apontado como o homem forte do segundo governo do prefeito ACM Neto (DEM), o futuro titular da recém-criada Secretaria de Desenvolvimento e Urbanismo de Salvador, Guilherme Bellintani, já definiu os dois projetos que tocará assim que assumir a pasta em primeiro de janeiro: implantar um amplo programa antiburocracia para agilizar obras e identificar os maiores contribuintes do ISS (Imposto sobre Serviços) em Salvador.
Bellintani está convencido de que o município precisa simplificar normas e modernizar o Código de Obras, que remonta à década de 1980, para desburocratizar processos licitatórios e agilizar a abertura de novos empreendimentos e a alavancagem de negócios na cidade.
‘Vamos mexer em leis e normas em geral, de modo a permitir uma maior simplificação dos procedimentos de autorização de abertura de empresas em Salvador”, explicou Bellintani, que espera concluir em dois anos o programa com as propostas antiburocracia.
Outra providência a ser tomada pelo futuro gestor será identificar os empresários que recolhem os maiores valores de ISS em Salvador. “São estas empresas que mais geram emprego, portanto, queremos saber o potencial de investimento desses segmentos”.
Bellintani adiantou que dará atenção especial, num primeiro momento, a dois setores da economia: a de call centers e de tecnologia. Salvador, diz ele, tem vocação para impulsionar os negócios na área de tecnologia e tem uma tradição em call centers que pode ser dinamizada.
A Fundação Mario Leal será o cérebro urbanístico de Salvador
Plano estratégico
Com passagem nas secretarias de Educação e de Desenvolvimento, Turismo e Cultura na atual gestão, onde foi considerado gestor de resultados, Guilherme Bellintani já é chamado de “supersecretário” nos corredores do Palácio Thomé de Souza.
A importância da nova pasta, ele próprio explica, não está no orçamento, ainda por ser definido pelo prefeito ACM Neto. Mas na dimensão dos projetos com os quais vai tratar a nos próximos quatro anos.
Bellintani ficará responsável pelo planejamento de desenvolvimento estratégico da cidade, dentro de uma nova lógica urbanística que se pretende implantar, e pelo estreitamento das relações entre o poder público e o setor privado.
Ao anunciar a nova equipe de secretários, na semana passada, o prefeito afirmou que, depois de um primeiro governo voltado à arrumação das contas municipais, quando imprimiu um forte ajuste fiscal com foco na arrecadação, a sua segunda gestão terá uma cara “mais desenvolvimentista”.
Caberá a Bellintani e equipe, portanto, criarem as condições para atrair o capital privado a investir em Salvador por meio de PPPs (Parcerias Público Privadas), concessões e operações urbanas consorciadas.
No plano de desenvolvimento estratégico que pensa para a cidade ele diz que haverá espaço para projetos urbanísticos de alto impacto econômico .Como exemplo, citou uma melhor ocupação dos galpões da Codeba e o desenvolvimento de um polo turístico na região de Stella Maris, a partir de um pool de resorts na localidade.
O futuro gestor também fala de projetos urbanísticos pontuais que deverão, segundo ele, “dar nova dimensão” a diferentes localidades de Salvador. Todos estes projetos passarão pelo aval da Fundação Mário Leal Ferreira, reforçada administrativamente com duas secretarias para ser o “cérebro urbanístico “ de Salvador.