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UNIÃO

Parcerias fortalecem a atuação feminina nos negócios

A organização de grupos, como associações e cooperativas, tem sido um diferencial para as mulheres

Miriam Hermes
Por Miriam Hermes
Rosemma Maluf aponta a união como caminho para inclusão das mulheres no mercado
Rosemma Maluf aponta a união como caminho para inclusão das mulheres no mercado - Foto: Uendel Galter | Ag. A TARDE

A organização de grupos voltados para impulsionar a participação feminina no mercado empreendedor tem sido um diferencial na vida das mulheres, por meio de vários formatos de agremiações. As oportunidades criadas por empresas e instituições fomentam a qualificação para que se tornem protagonistas das suas histórias de vida.

Entre as mulheres que empreendem na Bahia, 50,86% atuam no comércio, de acordo com pesquisa do Sebrae com mulheres de todas as regiões do estado. Atrás, com 38,76%, está o setor de serviços e artesanato em terceiro, com 6,44%. Embora seja de 2018, é a última referência estadual sobre o assunto.

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No universo dos Microempreendedores Individuais (MEIs), também o ramo do varejo é opção para mais da metade das mulheres, representando 53,41%, principalmente na área de vestuário e acessórios. Desta forma, ao tempo que aumentam a atuação formal e informal no mercado, também expandem sua participação como consumidoras.

“O Associativismo e a Cooperação empresarial são o caminho para quebrar o ciclo de exclusão das mulheres do crescimento e do sucesso profissional”, de acordo com a empresária Rosemma Maluf.

Ela lidera a Câmara da Mulher Empresária (CME) da Fecomércio/BA e revelou ter como missão interiorizar o movimento que começou com o Núcleo Salvador. Atualmente o estado tem 10 municípios com grupos formados.

A empresária foi empossada no mês passado como coordenadora da Câmara Brasileira das Mulheres Empreendedoras, da Confederação Nacional dos Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Foi justamente o esforço para levar a iniciativa ao interior baiano que chamou a atenção da confederação, “que quer replicar o modelo em outros estados”, disse, acrescentando que, “o propósito é fomentar a cultura associativista empresarial feminina e a cooperação nos negócios entre as empreendedoras”.

Também com cargo na diretoria da Associação Comercial da Bahia (ACB), como uma das vice-presidentes, Rosemma Maluf pontuou ainda que as ações visam “fortalecer o empoderamento econômico e equidade de gênero no mundo do trabalho e dos negócios”.

Preconceito estrutural

A presença feminina é fomentada também dentro de empresas do porte da operadora TIM, onde as mulheres representam 51% dos colaboradores. Em cargos de liderança, no entanto, embora estejam crescendo neste aspecto, elas ocupam 34% das cadeiras.

Para estimular um movimento que já havia na telefônica, em 2019 foi lançada a Área de Diversidade e Inclusão da TIM no Brasil, visando o desenvolvimento pessoal não só das mulheres, mas com um olhar voltado também para fomentar outros grupos afetados pelo preconceito estrutural da sociedade como de diversidade sexual, raça e pessoas com deficiência.

Neste contexto, conforme a gerente de Diversidade e Inclusão da operadora, Débora Oliveira, a empresa tem parcerias com outras iniciativas. Com foco no público interno o ‘Todas Group’ e no lado de fora da empresa o ‘Mulheres Positivas’.

Para atingir público externo em 2021 foi firmada uma parceria com o ‘Mulheres Positivas’, um grupo que já desenvolvia um trabalho para impactar positivamente o gênero feminino no desenvolvimento pessoal e profissional.

“Nós vimos uma oportunidade de unir forças com elas e convidamos outras empresas, potencializando a proposta”, declarou, ressaltando que atualmente 90 empresas fazem parte do programa, que usa o aplicativo como ferramenta com oportunidades de capacitação e acesso a vagas de trabalho.

Com um olhar para dentro da empresa a operadora firmou parceria este ano com a Todas Group, uma plataforma digital que também já existia e foi criada para potencializar a participação feminina nas suas áreas de afinidade, oportunizando que cheguem a cargos de liderança.

“Focamos na sensibilização, visando aprimorar as habilidades das colaboradoras através de diversos meios”, disse, citando como exemplo palestras, cursos, rodas de conversa e mentoria.

Aprendizado contínuo

Gerente regional do canal de lojas próprias da TIM Nordeste, a baiana Sabrina Cunha está na empresa há oito anos, onde entrou como coordenadora de canal. “Desde que somos admitidas passamos por programas de treinamento e somos estimuladas a crescer na organização”, revelou, acrescentando que o aprendizado é contínuo.

Sabrina Cunha, da TIM, aponta relevância do apoio das empresas
Sabrina Cunha, da TIM, aponta relevância do apoio das empresas - Foto: Raphael Muller | Ag. A TARDE

Graduada em Gestão de Negócios e com MBA em Gestão de Pessoas, ela destacou a importância do preparo pessoal para a mulher ocupar posição de destaque. Também pontuou ser relevante o apoio das empresas neste sentido. “É motivo de orgulho para nós participar deste processo que incentiva as mulheres a buscarem seus espaços”

Para a gerente executiva de Mídia da TIM, Daniella Ferro, um fato chamou a atenção em especial dentro deste processo desenvolvido na empresa. “Presenciamos a promoção da gerente Regional Norte, no mês que teve filho. Isso é emblemático em um universo onde muitas mulheres perdem emprego neste período ou nem são contratadas em idade fértil”, asseverou.

Sem esconder o entusiasmo com a convivência e acolhida, a publicitária baiana lamentou que tenha visto “colegas que ficaram no caminho pela dificuldade de conciliar a vida de executiva com a maternidade”. No entanto, incentivou que não desistam e que se firmem cada vez mais com colaboração mútua. “Aqui na TIM temos essa prática cultural”, enfatizou.

Mulheres no agro

A junção de forças para congregar e capacitar as cidadãs envolvidas com o mundo agropecuário, como nos demais segmentos, é importante para transformar vidas através do investimento em capacitação.

De acordo com dados do Censo Agro 2017, último divulgado pelo IBGE, o número de mulheres liderando empreendimentos agropecuários no Brasil passou de 13% em 2006 para 19%, somando 946,1 mil.

No entanto, para a superintendente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/Bahia), Carine Magalhães, o número de mulheres à frente de negócios ligados à cadeia produtiva do agronegócio é maior do que o registrado nas pesquisas.

“Nós percebemos o crescimento das mulheres envolvidas com o segmento”, disse, acrescentando que “muitas mulheres tem condição peculiar, como viúvas, por exemplo, que estão dirigindo os negócios da família, mas a propriedade ainda está no nome do marido”.

Ela salientou que o Senar/Bahia vem defendendo a participação das mulheres também nas atividades de organização de classe. “Todo sindicato ou associação que tem mulheres na diretoria é mais organizado. Elas têm uma capacidade especial de agregação, que é própria da sua natureza”, asseverou.

‘Para Elas’ é o programa do Senar focado na sensibilização para o protagonismo feminino através de seminários e outras modalidades de qualificação que visam preparar as mulheres tanto para atuar da porteira para dentro, quanto para a atuação externa na organização de grupos que lutam por melhorias nos seus segmentos.

Neste quesito a produtora rural Carminha Missio, vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), se destaca na liderança do Agronegócio para além do estado. Ao lado de Carine Magalhães coordena o grupo ‘Mulheres no Agro’ na Bahia.

Por falta de uma oportunidade anterior, concluiu o ensino básico e médio aos 45 anos e depois se graduou em Direito. Neste tempo ainda morava no Mato Grosso do Sul, onde começou sua atuação sindical e presidiu a Apae estadual, entre outras atribuições de natureza coletiva.

Chegou na Bahia em 2005 onde a família já tinha fazendas produtivas. Logo se engajou no trabalho da Apae em Luís Eduardo Magalhães, onde assumiu também como primeira mulher presidente do Sindicato dos Produtores Rurais.

“Comecei meu despertar através do sindicalismo”, disse, pontuando que “as mulheres devem se desafiar naquilo que tem algum conhecimento prático. Nunca é tarde pra começar e continuar. Eu aproveitei as oportunidades, porque é fundamental a gente se capacitar”.

Com especialização em Direito do Trabalho e com MBA em Gestão do Agronegócio hoje ela inspira outras mulheres, não apenas aquelas ligadas à cadeia produtiva do campo. “Tenho muito orgulho de ser uma mulher ligada ao agronegócio. Incentivo todas que participem ativamente. No ‘Mulheres no Agro’ temos essa parceria de apoio com diferentes iniciativas para atingir mais mulheres”, pontuou.

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