IA
Artistas visuais desaprovam uso da IA em trend de anime do ChatGPT
Trend viralizou nas redes sociais com artes inspiradas no Studio Ghibli
Por Victoria Isabel

Após a atualização do ChatGPT que aprimorou a geração de imagens pela inteligência artificial (IA), fotos no estilo do famoso estúdio de animação japonês, Studio Ghibli, tomou conta das redes sociais nos últimos dias. Com a viralização da trend, artistas visuais se manifestaram contra o uso da tecnologia, expressando desaprovação em relação à sua aplicação.
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A artista independente e tatuadora Fabiana Teixeira, de 20 anos, acredita que a verdadeira arte vem do esforço do artista. “É preciso lembrar que essa ferramenta, capaz de gerar imagens que dizem se inspirar em algum estilo de arte, apenas repete o que já foi criado por um artista, que pode ter demorado dias, meses ou até anos para desenvolver sua obra. Isso é um insulto, como diz o próprio criador do Studio Ghibli, Hayao Miyazaki. É fato que essa prática tende a se tornar mais comum, mas as pessoas precisam começar a refletir sobre o que consomem e reproduzem, e se realmente há um sentido profundo nisso”.
Segundo Fabiana, a IA pode ser útil no auxílio à organização de ideias e no desenvolvimento de novas ferramentas, mas nunca deve substituir a criação humana. "Seria um atentado à inteligência, sensibilidade e ao processo do artista, que são os elementos que tornam a arte puramente humana e viva", completou Fabiana.
Preocupação com o desemprego
O ilustrador e quadrinista baiano Daniel Cesart, afirma que é necessário criar uma regulamentação sobre o uso da IA. Ele acredita que a ferramenta representa uma preocupação semelhante à Revolução Industrial e pode gerar desemprego não só nas áreas gráficas, mas também em outras.
“Onde isso vai parar? Em vez de contratar um artista, você vai gerar arte com IA? Uma coisa que me deixou bastante decepcionado com essa trend do Studio Ghibli é que vários artistas também participaram. Isso me deixou muito triste”.
“Acredito que é uma questão a ser combatida, porque o artista precisa colocar alma e empatia naquilo que cria. A arte é gerada a partir de sentimentos. Então, quando só se tem artificialidade, para mim, isso não é arte. Acho que é preciso criar uma regulamentação, levar isso para o governo e outras instâncias, ou vamos acabar sem emprego”, completou Daniel.
Rodolfo Carvalho, professor da Escola de Belas Artes da UFBA, afirmou que a Inteligência Artificial é uma preocupação para seus alunos que trabalham com criatividade. Contudo, ele explica que, apesar desse receio, não acredita que o trabalho dos ilustradores será extinto, uma vez que o próprio ChatGPT se baseia em trabalhos feitos por humanos.
“As IAs, por exemplo, precisam da mão de obra humana. Mesmo que elas consigam gerar seus próprios protocolos para criar novas imagens ou até supostamente criar estilos, o que eu acho inviável e improvável que aconteça, visto que dependem do repertório humano criado. E ainda que elas criem novos repertórios, existe uma base humana para tudo isso”.
Segundo o professor, se as empresas começarem a substituir funcionários por IA, em determinado momento, todo mundo estará fazendo a mesma coisa. “As empresas vão voltar a buscar os artistas para que eles possam produzir, porque o fator humano é insuperável”, concluiu.
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