SALVADOR
Carnaval para todos? Acessibilidade é desafio para pessoas surdas em Salvador
Deficientes auditivos relatam desafios, expectativas e esperança por mudanças na acessibilidade do Carnaval de 2025
Por Victoria Isabel

O Carnaval de Salvador, uma das festas populares mais famosas do mundo, tem como premissa ser um espaço para todos, mas será que é realmente inclusiva? Pessoas surdas, por exemplo, ainda enfrentam barreiras durante a festa. Elenilson Soares, artista surdo de 42 anos, que ama o evento e já participou de muitos carnavais, relatou dificuldades de comunicação, seja com policiais, seguranças ou médicos no percurso.
“Sempre vejo pessoas com deficiência sendo desrespeitadas e tendo seus direitos esquecidos no Carnaval. Já aconteceu de um episódio em que policiais foram super agressivos e eu não compreendi o que estava acontecendo, o que acabou contribuindo para o caos”, contou Elenilson.
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Espero que em 2025 haja mudanças reais em acessibilidade.
Elenilson contou que já buscou dialogar com os responsáveis pela segurança e acessibilidade do evento. “Já conversei com as autoridades para encontrar maneiras de facilitar a comunicação. Também dei conselhos a outros departamentos. Espero que em 2025 haja mudanças reais em acessibilidade”.

Carnaval 2025
Igor Rocha de Andrade, professor de libras e palhaço de 36 anos, vai pela primeira vez curtir o carnaval em Salvador e está animado, mas com algumas preocupações. Ele relatou que já participou do carnaval de Recife, onde a comunidade surda foi bem assistida, e ficou satisfeito com o apoio recebido. No entanto, ele está apreensivo sobre a acessibilidade em Salvador.
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“Esse ano, espero que o Carnaval de Salvador seja muito animado, mas também que haja acessibilidade nos espaços. Porque, se não houver, como vou me comunicar? E se eu precisar falar com a polícia, por exemplo? Como vai ser? Fico imaginando o que aconteceria se me machucasse e não conseguisse me comunicar devido a falta de um intérprete no corpo de bombeiros, por exemplo”, refletiu Igor.
Ele também se preocupa com a parte musical, especialmente com a necessidade de intérpretes para traduzir as músicas para a comunidade surda. “Espero que se preocupem em traduzir as músicas, assim posso aproveitar mais a festa. Mas, apesar das preocupações, estou muito animado para curtir o Carnaval de Salvador”.
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Igor explicou que não é necessário que todos dominem a língua de sinais, mas que conhecer o alfabeto manual já seria de grande ajuda para fornecer informações simples e facilitar a comunicação ao longo do circuito.
Música através das vibrações
A professora de música, Julia Macedo, explicou como os surdos podem "escutar" a música sem ouvi-la, principalmente em festas como o Carnaval. “A música é um conjunto de vibrações sonoras organizadas. Para nós, ouvintes, essas vibrações entram pelo aparelho auditivo e são interpretadas pelo cérebro. Para uma pessoa surda, que não recebe essa resposta do ouvido, a música é sentida pelas ondas sonoras que se movem pelo corpo”.
“Isso permite que a pessoa perceba o ritmo e o balanço da música, principalmente os sons graves. Quanto mais os graves forem acentuados, mais é possível sentir o ritmo. É importante ter um bom equipamento de som para uma melhor experiência, mas em festas como carnavais, eles sentem tudo".
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Acessibilidade
Em termos de acessibilidade, a Prefeitura de Salvador iniciou, na última segunda-feira, 17, as inscrições para os Camarotes Acessíveis no Carnaval de 2025. São cerca de 500 vagas disponíveis por dia, oferecidas pela Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esporte e Lazer (Sempre).
De acordo com a pasta, os camarotes têm o objetivo de proporcionar uma festa mais inclusiva, com infraestrutura adequada para pessoas com deficiência (PCDs) e idosos. Localizados nos circuitos Osmar (Centro) e Dodô (Barra/Ondina), os camarotes contarão com audiodescritores, intérpretes de Libras e auxiliares de mobilidade treinados para ajudar os participantes.
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