SÃO FRANCISCO DE ASSIS
Desabamento da Igreja de Ouro completa um ano; veja como está situação
Templo histórico São Francisco de Assis, no Pelourinho, segue fechado enquanto restauro com recursos do Novo PAC é anunciado

Um ano após o desabamento de parte do teto da Igreja e Convento de São Francisco de Assis, no Centro Histórico de Salvador, o episódio que chocou o Brasil segue marcado por questionamentos sobre a preservação do patrimônio histórico. Conhecido como “Igreja de Ouro”, o templo permanece fechado ao público enquanto seguem as obras emergenciais e são anunciados os primeiros passos para o restauro da igreja considerada uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no mundo.
A tragédia, ocorrida em 5 de fevereiro de 2025, resultou na morte da turista Giulia Panchoni Righetto, de 26 anos, e deixou outras cinco pessoas feridas, interrompendo de forma abrupta um momento de contemplação em um dos templos mais emblemáticos do país e reacendendo o debate sobre segurança, conservação e responsabilidade com bens culturais.
Iphan anuncia recursos do Novo PAC para restauro
Na quarta-feira, 4, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), anunciou a garantia de recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) para dar início ao processo de restauro da igreja. A estimativa de investimento para a primeira fase dos trabalhos é de aproximadamente R$ 20 milhões.
Segundo o Iphan, os recursos iniciais serão destinados à elaboração de projetos técnicos e à execução de obras na nave central da igreja e no claustro do convento. O templo passa por intervenções emergenciais desde março de 2025, e a nova previsão é de que essa etapa seja concluída até março deste ano.

Obras emergenciais
De acordo com o Iphan, o anúncio ocorre na reta final das obras emergenciais. Inicialmente previstas para serem concluídas em outubro de 2025, as intervenções tiveram o prazo ampliado após a identificação da necessidade de serviços adicionais ao longo da execução.
Segundo o Iphan, foi investido R$ 2,4 milhões nessas intervenções. O superintendente instituto na Bahia, Hermano Guanais, destacou a complexidade do serviço realizado na Igreja.

“As intervenções realizadas na Igreja de São Francisco exigiram altíssimo grau de especialização técnica, justamente por se tratar de um bem tricentenário, com estrutura complexa e rica integração artística”, explica o superintendente.
“O que se conclui agora é uma etapa emergencial fundamental, voltada à estabilização e à segurança do monumento. A partir dela, inicia-se um processo mais amplo, que envolve estudos, diagnósticos aprofundados e projetos, condição indispensável para um restauro responsável. Preservar o patrimônio é, antes de tudo, respeitar o tempo técnico que ele exige", completou.
O que foi feito até agora
Segundo o instituto, as equipes supervisionaram um conjunto de ações técnicas que incluiu a remoção e a catalogação dos fragmentos do forro que caíram sobre a nave, o diagnóstico das condições do teto e da cobertura, o escoramento de elementos instáveis e o reforço da fixação das estruturas remanescentes.
Também foram realizadas a higienização, o tratamento e o acondicionamento dos elementos artísticos integrados que se desprenderam, com o objetivo de viabilizar a posterior reinserção ao conjunto arquitetônico.
Além disso, a cobertura passou por revisão completa, com a substituição de cerca de 90% das telhas cerâmicas e de parte do madeiramento leve de sustentação, seguida da imunização de todas as peças.
Relembre a tragédia
O desabamento de parte do teto ocorreu na tarde de 5 de fevereiro de 2025, enquanto turistas visitavam o espaço localizado no Largo do Cruzeiro de São Francisco, no Pelourinho. Na ocasião, a jovem Giulia Panchoni Righetto, de 26 anos, morreu, e outras cinco pessoas ficaram feridas.

Natural de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, Giulia visitava a igreja acompanhada do namorado e de um casal de amigos. Ela estava sentada e observava o teto do templo no momento em que a estrutura cedeu.
Problemas estruturais
A Igreja de São Francisco enfrentava problemas estruturais há anos. Dois dias antes do acidente, o frei Pedro Júnior Freitas da Silva, guardião-diretor da igreja, havia comunicado ao Iphan a existência de uma “dilatação” no forro do teto e solicitado uma vistoria técnica. A visita estava agendada para o dia 6 de fevereiro, um dia após o desabamento.

À época, o presidente do Iphan, Leandro Grass, afirmou que a solicitação foi feita por meio de um protocolo padrão, que não seria o procedimento indicado para situações de urgência.
Já o então diretor da Defesa Civil de Salvador (Codesal), Sósthenes Macedo, declarou que o poder público tinha conhecimento de pontos comprometidos na estrutura, mas que, até então, não havia indicação de risco iminente de desabamento, motivo pelo qual o espaço não estava interditado.
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
Compartilhe essa notícia com seus amigos
Siga nossas redes




