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DIREITOS E EDUCAÇÃO

Dia Nacional da Libras: Bahia soma mais de 700 mil pessoas com deficiência auditiva

Língua de sinais garante inclusão para milhares de baianos, mas implementação ainda enfrenta vácuos

Jackson Souza
Por Jackson Souza
Bahia soma 721 mil pessoas com surdez; Libras é o caminho para a cidadania plena
Bahia soma 721 mil pessoas com surdez; Libras é o caminho para a cidadania plena -

Neste dia 24 de abril, é comemorado o Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais, a Libras, meio de comunicação reconhecido oficialmente e usado por pessoas com surdez como forma de inclusão e o principal meio de alfabetização desse público, que ainda luta por mais reconhecimento e respeito.

Só na Bahia, 721 mil pessoas possuem algum grau de deficiência auditiva, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); desses, mais de 30 mil são totalmente surdos.

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No País, mais de 10 milhões é o contingente total, sendo 2 milhões desses completamente surdos, evidenciando a importância da língua, que é tida como fundamental por quem vive essa realidade, que comemora avanços, mas destaca desafios por igualdade.

A importância da alfabetização bilíngue

“A Libras é de total importância, é a principal forma para que surdos se alfabetizem no português, para que tenham mais oportunidades na vida, porque se eles aprendem Libras como primeira língua, fica mais fácil aprender o português como segunda língua, consegue ler e escrever, até leitura labial, se comunicar com as pessoas de uma forma direta (...) e faz toda a diferença na vida do surdo”, afirma Ticiana de Souza, representante da Mães Unidas Pela Surdez.

O Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais (Libras) é comemorado nessa data em função da Lei 10.436, de mesmo nome, ter sido criada em 2002 reconhecendo a língua como meio legal de comunicação e expressão. Três anos depois, em 2005, a Libras foi regulamentada, estabelecendo como disciplina curricular obrigatória na formação de professores surdos, professores bilíngues, pedagogos e fonoaudiólogos.

Acolhimento e suporte às famílias

A entidade que Ticiana representa atua acolhendo famílias de pessoas com algum grau de deficiência auditiva ou totalmente surdas, orientando sobre direitos e deveres, e conta com parcerias com profissionais, como advogados e psicólogos, que garantem assistência básica aos pacientes, e com instituições parceiras, com cessão de espaço para eventos e acolhimento dos assistidos.

São quase 50 mães e pais que fazem parte da entidade, entre elas a própria Ticiana, que é mãe de uma criança de 12 anos com surdez e paralisia cerebral.

Barreiras e dificuldades não superadas

O número de pessoas com algum tipo de deficiência auditiva aqui no estado representa 4,87%, quase os 5% do cenário nacional. No entanto, essa população ainda encontra dificuldades que não foram superadas, como a escassez de profissionais qualificados, barreiras comunicacionais institucionais e acesso tardio à língua pátria, que compromete o exercício pleno da cidadania da pessoa surda, explica o professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (Ifba), Campus Salvador, e tradutor-intérprete da Libras, Erivaldo de Jesus Marinho.

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“O reconhecimento legal da Libras foi apenas o primeiro passo. O desafio agora é sua efetiva implementação em todos os espaços sociais. A Língua Brasileira de Sinais não é apenas uma língua, é um direito. Garantir esse direito implica reconhecer a diversidade linguística do país e avançar na implementação de políticas linguísticas que assegurem, de fato, justiça social à comunidade surda”, disse.

Fonoaudiologia bilíngue e o desenvolvimento infantil

Uma área ainda muito pouco conhecida nesse contexto é a fonoaudiologia bilíngue, que, diferente do modo tradicional da fonoaudiologia, que foca na busca da reabilitação audição e oralidade, ela trabalha também a Libras e isso antes da obrigatoriedade em 2005, a cerca de 40 anos, e trabalha por meio da compreensão do sujeito surdo sem a obrigatoriedade da parte oral.

“Muito antes da lei, a gente como fonoaudiólogo já entendemos a importância da Libra para as crianças surdas como uma língua viável, uma língua acessível e que contribui muito para todo o processo de aquisição de linguagem da criança e também para que a criança possa ter um desenvolvimento em igualdade de condições, assim como qualquer outra criança ou ouvinte tem, visto que ela tem uma língua que é acessível a ela”, afirmou a professora do Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal da Bahia, Desirée De Vit Begrow.

Libras para todos: o desafio da oficialização

Com 36 anos de experiência, Desirée ainda ressalta que o contingente de pessoas falantes da língua, estimado em 1 milhão, não são minoria e sim minorizados, o que interfere diretamente na difusão. Para ela a Libras deveria ser destinada a todos, não apenas às pessoas surdas ou que vivem nesse meio.

“Libras é uma língua que deveria participar socialmente, como qualquer outra língua participa. Deveria ser inclusiva, deveria ser oficializada, porque ela não é. (...) Ela é reconhecida como língua da comunidade surda, mas deveria ser da comunidade surda, da comunidade ouvinte, de todos os documentos oficiais que a gente tem. Libras deveria passar na televisão, em todos os programas de tv, em todos os telejornais, em todos os comunicados, e não apenas em alguns”.

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