PERFIL
Ex-vereadora e amiga de Anitta: quem é Léo Kret, alvo de operação do MP-BA
Atualmente, ela ocupa o cargo de diretora de políticas para pessoas LGBTQIA+ da Semur


A ex-vereadora de Salvador Léo Kret, alvo da Operação Sponsor, deflagrada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), na manhã desta terça-feira, 26, ganhou notoriedade antes mesmo de entrar para a vida pública e, ao longo dos anos, conquistou a amizade de famosos, entre eles a cantora Anitta.
Atualmente, ela ocupa o cargo de diretora de políticas para pessoas LGBTQIAPN+ da Secretaria Municipal da Reparação (Semur), função assumida em abril de 2025.
Dançarina do Saiddy Bamba
Léo Kret se destacou como dançarina da banda de pagode Saiddy Bamba. Ela conquistou o público com o seu molejo e o clássico bate-cabelo.
Em 2010, ela encerrou a sua trajetória na banda. “Vocês sabem, né? Quando a nossa estrela está brilhando demais, começa a incomodar muita gente”, explicou ela na época, dando a entender que sua saída foi conturbada.
Primeira vereadora transexual de Salvador
Em 2008, Léo Kret foi eleita com 12.860 votos, tornando-se a primeira vereadora transexual da Câmara Municipal de Salvador (CMS). Ela tentou retornar ao Legislativo nas eleições de 2024, mas não conseguiu se eleger. Na disputa pelo PDT, recebeu 6.153 votos e ficou na primeira suplência do partido.
Natural de Salvador, em 2009, ela ganhou na Justiça o direito de usar o nome Leo Kret do Brasil, conforme sentença do juiz Nelson Cordeiro, da Vara de Registro Civil.
Segundo a influenciadora, a sua popularidade vem do seu papel de dançarina do Saiddy Bamba. Ela ficou conhecida, sobretudo, nas noites do Subúrbio Ferroviário de Salvador.
Em seu mandato como vereadora, entre 2009 e 2012, teve como bandeira de luta o combate à homofobia.
Léo Kret integrou três comissões permanentes da CMS: Direitos do Cidadão; de Reparação; e de Desenvolvimento Econômico e Turismo.
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Amizade com Anitta
Ao longo da sua trajetória, ela fez amizade com a cantora Anitta. A ex-parlamentar já exaltou a parceria com a funkeira: “Ganhei quando muitos artistas de Salvador me esqueceram”
A dançarina já chegou a participar de dois clipes da artista, ‘Bola Rebola’, gravado na Gamboa em 2019 e ‘Me Gusta’, de 2020.
Léo Kret rompe o silêncio
Léo Kret rompeu o silêncio sobre o rumor de que teria sido presa na manhã desta terça-feira, 26, em Salvador. Ela é alvo de uma operação do Ministério Público da Bahia (MP-BA).
A suspeita é a de que ela esteja envolvida em desvios de verbas públicas, incluindo recursos destinados ao Carnaval.
Em um vídeo enviado ao portal A TARDE, Léo Kret afirmou que não foi presa e que o seu nome foi mencionado em um contrato que ela não assina.
Leia o pronunciamento na íntegra:
“Em primeiro lugar eu não fui presa. Em segundo lugar, o meu nome foi mencionado por um contrato que eu nem assino. Já acionei os meus advogados e em momento oportuno vocês vão saber de toda a situação. Todos vocês me conhecem, a Bahia inteira me conhece, sabe da minha índole, do meu caráter, sabe do meu trabalho que eu tenho com a população. Já já vocês vão saber tudo que está acontecendo”.
Operação Sponsor
O MP-BA deflagrou a ‘Operação Sponsor’, que investiga crimes de peculato, fraudes em processos licitatórios e desvios de recursos públicos que deveriam ser destinados a entidades carnavalescas e organizadores de Paradas LGBTQIAPN+ em Salvador.
Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em um órgão público, uma associação e endereços ligados a cinco pessoas físicas, entre elas servidores de Salvador. A Justiça determinou o afastamento do presidente e do diretor-geral da associação, bem como de duas servidoras municipais investigadas.
Segundo as investigações, recursos públicos que deveriam ser destinados ao patrocínio de eventos carnavalescos e ações voltadas à comunidade LGBTQIAPN+ teriam sido desviados por meio de uma associação de fachada.
De acordo com os promotores de Justiça, a associação teria recebido mais de R$ 1,1 milhão de Salvador, sendo que parte desses recursos teria beneficiado integrantes da associação. Os valores deveriam viabilizar eventos em 57 bairros de Salvador, além do apoio a 18 blocos carnavalescos durante o Carnaval de 2025.
A apuração teve início após o MP-BA receber informações e documentos apresentados por organizadores de eventos e integrantes da comunidade LGBTQIAPN+, relatando irregularidades na destinação de verbas públicas destinadas à realização do projeto ‘Caminhada da Diversidade LGBTQIAPN+’.


