OPERAÇÃO SPONSOR
Grupo Gay da Bahia defende inocência de Léo Kret em operação do MP
Ex-vereadora é investigada por desvios de recursos que deveriam ser destinados a entidades


A polêmica em torno da ex-vereadora Léo Kret, alvo de uma operação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) que investiga desvios de recursos que deveriam ser destinados a entidades carnavalescas e organizadores de Paradas LGBTQIAPN+ em Salvador, agitou o meio político e do entretenimento na manhã desta terça-feira, 26.
Ao portal A TARDE, o fundador e presidente de honra do Grupo Gay da Bahia (GGB), Luiz Mott, afirmou torcer pela inocência da ex-dançarina da banda Saiddy Bamba.
“Léo Kret frequenta o GGB desde que era adolescente e foi nas reuniões do Projeto Se Ligue, dirigido pelo GGB, que ela aprendeu o ‘beabá’ dos direitos humanos e da militância. Foi a partir dali que ela se tornou conhecida como cantora, dançarina, se candidatou a vereadora, foi eleita e teve um mandato sem problemas”, disse.
Luiz, que também é professor aposentado da Universidade Federal da Bahia (Ufba), pontuou que não conhece “nada no histórico de Léo Kret que deprecie a sua qualidade moral, a sua honestidade e a sua ética”.
Eu torço para que a solução da investigação revele que Léo Kret é inocente de qualquer suspeita de irregularidade.
Luiz Mott - fundador e presidente de honra do Grupo Gay da Bahia (GGB)
“Que os responsáveis sejam punidos”
Em conversa com a reportagem, ele enfatizou que o GGB, entidade que existe há 46 anos, “tem o seu histórico fiscal e policial limpo. Nós nunca fomos acusados ou indiciados por nenhum tipo de irregularidade financeira.”
Além disso, o presidente de honra ressaltou que considera fundamental que a investigação seja aprofundada. “Se houver irregularidade, apropriação indébita ou desvio de verba da finalidade que foi alocada, que os responsáveis sejam punidos de acordo com a lei”, complementou.
Questionado sobre a possibilidade dos crimes investigados pelo MP-BA impactarem nas políticas voltadas para o público LGBTQIAPN+ na Bahia, Luiz Mott, destacou:
A corrupção é tão generalizada e grave no Brasil nos últimos anos e nas últimas semanas, que eu não acho que isso vai ter um impacto maior no futuro.
Luiz Mott - fundador e presidente de honra do Grupo Gay da Bahia (GGB)
“O que se deve evitar é que a homofobia, a transfobia, assim como o racismo e o machismo, influenciem nas investigações. Aguardamos uma explicação do MP-BA transparente e justa”, finalizou.
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Léo Kret perde cargo na prefeitura
Léo Kret, que era diretora de políticas para pessoas LGBTQIAPN+ da Secretaria Municipal da Reparação (Semur), foi exonerada do cargo nesta terça-feira, 26, após ser alvo do MP-BA.
A informação foi confirmada pela prefeitura de Salvador, por meio de uma nota enviada à imprensa, nesta manhã, horas após a operação. De acordo com o comunicado, as demissões seguem "a recomendação do órgão ministerial".
“Em relação à operação do Ministério Público estadual (MP-BA) desta terça-feira (26), a Prefeitura de Salvador informa que, seguindo a recomendação do órgão ministerial, as servidoras citadas serão exoneradas. A gestão municipal salienta que colabora com a apuração para que todos os fatos sejam esclarecidos”, diz a nota.
Ex-vereadora rompe o silêncio
Léo Kret rompeu o silêncio sobre o rumor de que teria sido presa na manhã desta terça-feira, 26, em Salvador.
Em um vídeo enviado ao portal A TARDE, Léo Kret afirmou que não foi presa e que o seu nome foi mencionado em um contrato que ela não assina.
Leia o pronunciamento na íntegra:
“Em primeiro lugar eu não fui presa. Em segundo lugar, o meu nome foi mencionado por um contrato que eu nem assino. Já acionei os meus advogados e em momento oportuno vocês vão saber de toda a situação. Todos vocês me conhecem, a Bahia inteira me conhece, sabe da minha índole, do meu caráter, sabe do meu trabalho que eu tenho com a população. Já já vocês vão saber tudo que está acontecendo”.
Operação Sponsor
O MP-BA deflagrou a ‘Operação Sponsor’, que investiga crimes de peculato, fraudes em processos licitatórios e desvios de recursos públicos que deveriam ser destinados a entidades carnavalescas e organizadores de Paradas LGBTQIAPN+ em Salvador.
Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em um órgão público, uma associação e endereços ligados a cinco pessoas físicas, entre elas servidores de Salvador. A Justiça determinou o afastamento do presidente e do diretor-geral da associação, bem como de duas servidoras municipais investigadas.
Segundo as investigações, recursos públicos que deveriam ser destinados ao patrocínio de eventos carnavalescos e ações voltadas à comunidade LGBTQIAPN+ teriam sido desviados por meio de uma associação de fachada.
De acordo com os promotores de Justiça, a associação teria recebido mais de R$ 1,1 milhão de Salvador, sendo que parte desses recursos teria beneficiado integrantes da associação. Os valores deveriam viabilizar eventos em 57 bairros de Salvador, além do apoio a 18 blocos carnavalescos durante o Carnaval de 2025.
A apuração teve início após o MP-BA receber informações e documentos apresentados por organizadores de eventos e integrantes da comunidade LGBTQIAPN+, relatando irregularidades na destinação de verbas públicas destinadas à realização do projeto ‘Caminhada da Diversidade LGBTQIAPN+’.


