SALVADOR
Imóvel que desabou em Salvador passava por reparos estruturais
Proprietário já havia sido alertado sobre os riscos


Um dia após o desabamento de um prédio que deixou três mortos e três feridosna localidade da Baixa das Pedrinhas, no bairro de Luís Anselmo, em Salvador, equipes da Defesa Civil de Salvador (Codesal), do Corpo de Bombeiros e de outros órgãos públicos seguiram ontem atuando na retirada de escombros, avaliação de imóveis vizinhos e assistência às famílias atingidas.
Segundo relatos de moradores e da própria Codesal, o imóvel já apresentava rachaduras visíveis havia pelo menos dois anos. A obra realizada no local teria como objetivo conter o avanço de problemas estruturais que colocavam o prédio em risco. De acordo com vizinhos, o proprietário já havia sido alertado sobre a situação.
O terceiro corpo foi localizado por volta das 4h de ontem. As outras duas vítimas haviam sido encontradas ainda na noite de sábado, uma delas com vida, mas não resistiu aos ferimentos. Antes da chegada das equipes de resgate, moradores da região iniciaram a retirada das vítimas dos escombros.
Os mortos foram identificados como Roberto, Maurício e Raimundo, pedreiro e ajudantes que trabalhavam justamente na obra de reforço estrutural do edifício. Líder comunitário da região, Henrique Piaba afirmou que o prédio vinha apresentando sinais de comprometimento nos últimos meses e que, dias antes da tragédia, as rachaduras teriam aumentado.
“Os moradores relataram que o imóvel dava sinais mais graves nos últimos dias, com novos estalos pouco antes do desabamento. A obra era uma tentativa de proteger a estrutura, mas, pelo que sabemos, não havia acompanhamento de engenharia”, disse.
Na manhã de ontem, o proprietário do imóvel esteve no local com ferimentos na cabeça e aparentando forte abalo emocional. Segundo moradores, ele ajudou inicialmente na retirada dos escombros, mas acabou sendo levado para a casa de familiares. A esposa e a filha dele sofreram escoriações leves.
O diretor da Codesal, Adriano Silveira, alertou para a importância de comunicar imediatamente situações de risco estrutural ao órgão.
“Qualquer sinal de rachadura, parede empenada ou vício construtivo deve ser informado à Defesa Civil para que possamos fazer as avaliações necessárias e evitar tragédias como essa”, afirmou.
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Até a tarde de ontem, cinco imóveis permaneciam interditados na região. Moradores relataram que a Codesal teria sido acionada há cerca de duas semanas devido ao agravamento das rachaduras, mas o órgão informou não haver registros no sistema.
A Secretaria Municipal de Manutenção (Seman) atuou durante todo o dia na retirada dos entulhos, com apoio da Guarda Civil Municipal e da Secretaria de Desenvolvimento Urbano.
Segundo a prefeitura, a obra realizada no prédio não possuía autorização municipal, contrariando a Lei 9.281/2017, do Código de Obras do Município, que exige licença prévia para intervenções estruturais.
Auxílios emergenciais
Morador da rua há 65 anos, Fernando José acompanhava a retirada dos escombros diante da casa atingida parcialmente pelo desabamento.
“Foi um susto muito grande. Conhecia todos eles. Tive prejuízo, mas o importante é que estou vivo”, relatou.
A Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre) cadastrou 31 pessoas afetadas pelo desabamento. As famílias receberam colchões, cobertores, kits de higiene, alimentos e outros auxílios emergenciais. Duas famílias que perderam todos os bens terão direito a auxílio-aluguel e benefício equivalente a três salários mínimos para compra de móveis.
Outros moradores deixaram suas casas por precaução. Uma escada que serve de acesso a imóveis vizinhos passou por avaliação técnica e pode ser demolida. Também há preocupação em relação a outro prédio da mesma rua, interditado há cinco anos pela Defesa Civil por risco estrutural.
O governo da Bahia informou que mantém equipes mobilizadas no atendimento às vítimas e apoio às famílias atingidas. Participam da operação agentes do Corpo de Bombeiros, Samu, Polícia Militar, Departamento de Polícia Técnica e Defesa Civil. O governador Jerônimo Rodrigues lamentou o ocorrido e afirmou que toda a estrutura estadual foi colocada à disposição para o resgate e assistência às vítimas.


