GREVE EM SALVADOR
População é surpreendida com BRT fechado durante greve de ônibus
Sem saber que paralisação também afetaria o BRT, algumas pessoas se deslocaram até as estações


A greve de ônibus que aconteceu na manhã desta sexta-feira, 22, em Salvador, afetou também os usuários do Bus Rapid Transit (BRT). Sem saber que a paralisação também afetaria o meio de transporte, algumas pessoas se deslocaram até as estações e foram surpreendidas com as portas fechadas.
Moradora de Nazaré, Cândida Rosa Macêdo disse ao portal A TARDE que só ficou sabendo quando já estava no local. “Atrapalhou minha rotina, porque eu tinha um compromisso médico agora. Estou tentando agendar novamente para a próxima semana. Estou vendo aqui se eu consigo”, relatou.
“Atrapalha a vida de todo mundo. A gente sabe que eles têm que reivindicar os direitos e tudo mais, mas a gente acaba sendo prejudicado. A classe que mais se prejudica somos nós, os usuários”, desabafou Cândida.

Outro afetado foi Jesael Pereira, do Engenho Velho de Brotas. Ele afirmou que foi pego de surpresa. “A greve é justa, porque os empresários têm que sentir no bolso, mas nós somos afetados. E não foi informado em nenhum momento que o BRT estaria desativado”, disse.
Estou revoltado, mas não com os trabalhadores, e sim com o sistema, que não valoriza os direitos do trabalhador.
Jesael Pereira

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BRT afetado
A greve geral dos rodoviários também afetou a operação do BRT Salvador. Além dos ônibus convencionais, veículos do sistema deixaram de circular em diferentes trechos da capital baiana.
O BRT é operado por rodoviários e integra o sistema de transporte urbano da cidade, utilizando corredores exclusivos e estações próprias.
Greve chega ao fim
A greve dos rodoviários de Salvador foi suspensa na manhã desta sexta-feira, 22, após assembleia da categoria. Com a decisão, os ônibus começam a retornar gradualmente à circulação na capital baiana.
De acordo com informações obtidas pelo portal Massa!, as negociações entre rodoviários e empresários em Salvador foram concluídas com a formalização de um acordo que encerra o impasse da categoria e viabiliza o fim da greve. Além do reajuste salarial de 4,11% e do aumento no ticket alimentação, também foram definidos ajustes nas condições de trabalho.
Entre os principais pontos do acordo, ficou estabelecido que as horas extras aos finais de semana passam a ser opcionais. Outro item tratado foi a mudança no sistema de telemetria, que agora contará com apenas um bip. Além disso, ficou definido que mulheres não serão mais obrigadas a realizar pernoites.
Em entrevista ao portal A TARDE, o diretor de comunicação do Sindicato dos Rodoviários, Daniel Mota, afirmou que a greve foi finalizada com sucesso.
"Os rodoviários recebem aqui a proposta da inflação. Não foi a proposta dos nossos sonhos, porque seria um percentual acima da inflação pois infelizmente ver a inflação seca, mas junto com a inflação veio algumas questões que nós estamos reivindicando, que era o problema da telemetria, da multilinha, das condições de trabalho dos rodoviários. Foi aprovado o fim da greve aqui e aos poucos, gradualmente, vai normalizando a cidade", disse.
O que diz a Semob
A Secretaria de Mobilidade (Semob) disse que agentes de transporte e prepostos da Integra estão presentes nas garagens para acompanhar a liberação dos ônibus na manhã desta sexta-feira. Com o fim da greve, o retorno dos coletivos está ocorrendo de forma gradativa em Salvador.
Segundo a pasta, a Prefeitura de Salvador manteve contato com as partes envolvidas durante todo o processo de negociação, com o objetivo de contribuir para a construção de um acordo entre trabalhadores e empresas.
A Semob também destacou que, desde as primeiras horas do dia, foi acionado um plano de contingência com o Sistema de Transporte Especial Complementar (STEC), que atuou nos principais corredores da cidade para atender a população durante a paralisação.
Greve dos rodoviários
A mobilização havia sido confirmada na noite anterior, após uma sequência de reuniões e tentativas de mediação entre trabalhadores e empresários no Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT-BA), que terminaram sem acordo. O impasse envolvia principalmente reajuste salarial, mudanças em benefícios e condições de trabalho, o que levou à aprovação da greve em assembleia.
Apesar da determinação judicial que previa operação mínima de 60% da frota nos horários de pico e 40% nos demais períodos, o início da manhã foi marcado por falhas na circulação dos ônibus e registro de garagens fechadas. A Semob afirmou que não houve início de operação nas garagens até por volta das 6h30, apontando descumprimento da decisão judicial.


