SALVADOR
Rodoviários aprovam estado de greve em Salvador; entenda
Sindicato se reuniu na manhã de hoje, em meio ao impasse da campanha salarial


O Sindicato dos Rodoviários de Salvador aprovou o estado de greve na manhã desta quinta-feira, 14, durante encontro para discutir o impasse da campanha salarial. No entanto, na reunião que ocorreu na sede da entidade, localizada no bairro de Brotas, os trabalhadores enfatizaram o desejo de resolver a situação sem a necessidade de paralisação geral.
Em entrevista ao grupo A TARDE, o presidente do sindicato, Fábio Primo falou sobre a decisão.
"Encerramos agora a assembleia do primeiro turno, mas vai ter a assembleia do segundo turno. Ficou agora aprovado pelos trabalhadores o estado de greve. Mas vale explicar a toda a população soteropolitana o que é estado de greve, que não é a greve [...] a intenção da comissão de negociação não é a greve, porque ela não é boa para os trabalhadores e não é boa para a população", enfatizou.
A decisão aconteceu em assembleia do primeiro turno, mas haverá um segundo turno posteriormente. Uma segunda reunião também será realizada no período da tarde, às 15h30, para seguir no andamento das negociações.
Ainda não há data definida para o movimento, que será decidida mediante o desfecho da reunião posterior.
"A categoria aprovou aqui em assembleia o estado de greve, autorizando a comissão de negociação o melhor dia para deflagrar a greve se não tiver uma proposta contemplativa amanhã" explicou o diretor de Comunicação Daniel Mota.
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Vale ressaltar que estado de greve e greve não são situações similares. Estado de greve é um processo em que os trabalhadores começam a correr o rito legal jurídico para, apenas em seguida, haver a possível da paralisação geral.
"O estado de greve é uma ferramenta estatutária da categoria publicada no estatuto. Deve ser publicado um outro edital de 72h e vamos aguardar a reunião amanhã da Superintendência", explicou Mota.
O presidente da categoria pontuou, no entanto que, caso haja greve, a responsabilidade é apenas dos empresários.
"Vamos tentar de todas as forma amanhã na superintendência regional do trabalho buscar uma proposta. Se não tiver amanhã, vamos buscar outra reunião no início da semana, de todas as forma para evitar a greve. Caso a greve aconteça, a gente não terá outra saída. Mas vamos trabalhar o tempo todo para evitar a greve", garantiu Primo.
Saiba por que ônibus não atrasaram saída
Diferente do que ocorreu nas assembleias anteriores, a mobilização não comprometeu a saída dos ônibus, o que não afetou a operação do transporte público. À reportagem, Primo explicou o porquê do encontro de hoje ter ocorrido desta forma.
"Todo qualquer movimento de rodoviário só acontece quando as negociações estão emperradas. A gente respeita a mesa de negociação. A gente tem uma que foi reaberta na segunda-feira e amanhã tem uma mediação com a Superintendência Regional do Trabalho em respeito a essa mesa instalada. Por isso que a gente não teve a operação 'Todos pela Direita' e nem a assembleia em porta da garagem", contou.

Aumento de passagem
A questão do aumento salarial gera preocupação na população que teme um novo reajuste na passagem. Fábio Primo explicou que as situações não estão relacionadas, pois a pauta dos rodoviários visa a data-base da categoria, e que o incremento no preço do transporte público já aconteceu em 2026, antes da campanha ter início.
"Nós rodoviários não temos controle nenhum sobre reajuste de tarifa. É bom que a população entenda isso, que reajuste de tarifa é uma uma luta, é a pauta de reivindicação dos empresários com a prefeitura, a nossa é a gente com os empresários", finalizou.
A pauta de reivindicação estava travada depois de quatro reuniões de negociação com os empresários e, segundo o dirtetor de Comunicação do sindicato, Daniel Mota, começou a se encaminhar após conversa com o prefeito Bruno Reis, ocorrida na última segunda-feira, 11.
Em seguida, norteou uma proposta de negociação entre a categoria e empresários, que ocorrerrá na sexta-feira, 15, mediada pela Superintendência Tegional do Trabalho.
Ao portal A TARDE, na manhã desta quinta, 14, o chefe do Executivo municipal explicou que está tentando mediar um acordo, mas que a decisão não cabe à Prefeitura, pois diz respeito a uma relação patronal entre empregado e empregador.
"Todo trabalhador, e é justo, quer ter um ganho real. Por outro lado, as empresas colocam a dificuldade de dar um reajuste acima da inflação do período, até porque a tarifa do ônibus foi reajustada com base na inflação do período. Espero que eles se entendam.
Bruno Reis afirma que espera que haja um acordo na reunião desta quinta, mas caso não ocorra, garante que a Prefeitura juntamente à justiça vai tentar uma nova mediação.
"Ou vai ter que ir para o dissídio, e o que eu espero que o dissídio, caso não haja acordo, seja julgado antes que qualquer greve que possa ocorrer, porque já são cinco anos sem greve [...] Estou trabalhando para que haja um acordo e espero, com fé em Deus, semana que vem ter superado mais este esta pauta e seguir avançando e transformando nossa cidade", finalizou o prefeito.
Proposta
Em acordo firmado na quarta-feira, 13, após proposta do Governo federal passada para Congreso, foi definido:
- 40h semanais com o fim da jornada 6X1;
- duas folgas por semana nos próximos meses.
A primeira folga, já conquistada, acontecerá em dois sábados e dois domingos por mês. Já a segunda, ainda será debatida.

Principais reivindicações
A campanha salarial tem como principais pautas um reajuste de 5% acima da inflação e mudanças nas condições de trabalho. Entre as reivindicações estão:
- reposição da inflação com 5% de ganho real;
- aumento na quantidade e no valor do ticket alimentação;
- redução da jornada diária para seis horas;
- revisão da chamada “carta horária”;
- melhores condições de trabalho;
- gratuidade no transporte;
- estabilidade pré-aposentadoria;
- turnos fixos e troca de linha;
- gratificação em grandes eventos;
- prêmio de assiduidade;
- complemento do plano de saúde;
- implantação de PLR e day off.
O que diz a Integra?
Ao portal A TARDE, a Integra informou que as negociações estavam paralisadas, mas que serão retomadas a partir desta sexta-feira, 15, às 10h, quando haverá uma reunião com a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE).


