ESPAÇO JEQUITAIA
Governo da Bahia detalha situação dos cães retirados de área da Ponte Salvador-Itaparica
Paradeiro de cães resgatados no Espaço Jequitaia foi explicado pelo governo


O Governo da Bahia esclareceu a situação dos 17 cães resgatados durante a retomada administrativa do Espaço Jequitaia, na Calçada, em Salvador. Conforme comunicado enviado nesta quinta-feira, 3, os animais foram retirados do imóvel em 24 de julho, quando o Estado retomou a área pública para a implantação do canteiro de obras da Ponte Salvador-Itaparica.
A situação dos cães ganhou repercussão após o comandante Emerson França, responsável pela Brigada K9, denunciar que estava há cerca de 40 dias sem acesso aos animais. O caso também foi questionado publicamente pela atriz Paula Burlamaqui em vídeo nas redes sociais perguntando sobre o paradeiro dos cães.
De acordo com o governo, o espaço que abrigava os animais estava em situação “precária” e, inclusive, dois cães estavam em estado grave e precisaram ser encaminhados para atendimento especializado. Em razão da gravidade, um dos cachorros, conhecido como “cão black”, necessitou passar por eutanásia.
Área seria ocupada irregularmente
Segundo o governo estadual, o imóvel localizado na Avenida Engenheiro Oscar Pontes é público e vinha sendo ocupado por particulares desde 2002, sem vínculo jurídico que autorizasse a permanência no espaço. A Brigada K9 alega que o terreno estava abandonado há mais de 25 anos e foi convidada pelo Condomínio Náutico da Calçada a ocupar a área.
O Governo do Estado argumentou que antes da retomada do Espaço Jequitaia, a Secretaria da Administração (SAEB) e a Secretaria Extraordinária do Sistema Viário Oeste Ponte Salvador-Itaparica (SVPONTE) tentaram, durante meses, chegar a um acordo para a desocupação. Como não houve consenso, o Estado realizou a retomada administrativa.
O governo informou ainda que os bens existentes no imóvel foram inventariados e transportados para um estaleiro na Ribeira, preparado para receber embarcações, equipamentos, materiais e outros itens durante um período determinado.
A área também passou a contar, segundo a gestão estadual, com uma estrutura destinada ao acolhimento temporário dos animais que estavam no local, considerando as responsabilidades de seus respectivos tutores.
Quadro grave
Durante a operação, 17 cães foram resgatados por policiais militares do Batalhão de Choque e da Companhia de Polícia de Proteção Ambiental (Coppa), com participação de representantes de órgãos estaduais e acompanhamento de uma médica veterinária.
O governo afirma que os animais estavam em uma estrutura considerada precária. Após o manejo, eles foram levados para o estaleiro na Ribeira e acomodados em baias construídas especificamente para recebê-los.

Saúde dos cães
Dois dos 17 cães apresentavam quadro grave de saúde e foram encaminhados imediatamente para internação em um hospital veterinário.
De acordo com o relatório médico apresentado pela veterinária responsável, os dois animais tinham anemia profunda e precisavam de transfusão de sangue. Um deles também apresentava uma perfuração no olho direito, considerada anterior ao resgate e com indicação de cirurgia.
Dos demais animais avaliados, 15 apresentavam condições clínicas estáveis, com parâmetros fisiológicos preservados e sem alterações que justificassem atendimento emergencial. Ainda assim, a veterinária apontou que pelo menos nove deles apresentavam alterações clínicas que exigiam conduta específica e acompanhamento ambulatorial prioritário.
Morte do cão Black
Um dos animais retirados do Espaço Jequitaia, o cão Black, morreu após ser submetido à eutanásia em 30 de julho. Segundo laudo elaborado pelos médicos veterinários George Willanne e Iasmin Sampaio, o procedimento ocorreu após a identificação de um quadro irreversível durante uma cirurgia exploratória.
Black havia passado por um exame de ultrassom que indicou a possibilidade da presença de um corpo estranho no sistema digestivo. Por isso, os veterinários realizaram uma cirurgia para investigar a situação.
Durante o procedimento, a equipe encontrou uma infecção grave, com grande quantidade de líquido, fezes e bile espalhada pela cavidade abdominal. Também foi identificada uma perfuração de aproximadamente seis centímetros no intestino.
Quadro delicado
Segundo o laudo, o tecido ao redor da perfuração estava necrosado e sem circulação sanguínea. A localização da lesão e o avançado processo de morte do tecido teriam tornado tecnicamente impossível fazer a correção sem comprometer estruturas vitais para a sobrevivência do animal.
Diante do quadro considerado irreversível e do sofrimento de Black, os veterinários optaram pela eutanásia ainda durante a cirurgia, enquanto o cão estava anestesiado, com o objetivo de evitar dor e sofrimento.
Brigada K9 contesta
A Brigada K9 contesta a versão apresentada pelo governo e afirma que, após a decisão pela desocupação, foram realizadas reuniões com órgãos estaduais e teria sido prometida uma nova área, equipada para receber os cães e os equipamentos utilizados nas atividades de resgate.
O comandante Emerson França afirma, contudo, que está há cerca de 40 dias sem acesso aos animais retirados da antiga sede da Brigada K9.


