SEM ACORDO
Salvador terá primeira paralisação geral de ônibus desde 2018
Paralisação começa à 0h desta sexta-feira, 22, após mais uma rodada de negociações sem acordo


Salvador voltará a enfrentar uma greve geral de ônibus após sete anos sem uma paralisação ampla do transporte coletivo. Os rodoviários confirmaram nesta quinta-feira, 21, que os ônibus deixarão de circular a partir da 0h desta sexta-feira, 22, após nova rodada de negociações terminar sem acordo entre trabalhadores e empresários.
A última greve geral em Salvador aconteceu em 23 de março de 2018, quando os rodoviários cruzaram os braços por cerca de 24h devido a impasses salariais. Apesar da curta duração, a paralisação foi suficiente para provocar caos na cidade, afetando diretamente milhares de passageiros que dependiam do transporte público.
Na época, além dos ônibus urbanos da capital, os rodoviários do sistema metropolitano também aderiram ao movimento. Para reduzir os impactos, as prefeituras precisaram recorrer a cerca de 300 micro-ônibus do Sistema de Transporte Especial Complementar (STEC), além de 516 micro-ônibus e diversas vans emergenciais.
Os trabalhadores reivindicavam reajuste salarial de 6% e aumento de 10% no vale-refeição. Durante as negociações, a categoria reduziu as exigências para 3% de aumento nos salários e 2% no benefício de alimentação. Ao final das negociações, a gestão municipal, então comandada por ACM Neto, fechou acordo com a categoria e concedeu reajuste de 2,7%.
Desde então, Salvador não registrava uma greve geral de ônibus.
Em 2023, greve foi evitada após 15 rodadas de negociação
Apesar de não haver paralisação desde 2018, os soteropolitanos viveram clima de tensão em 2023, quando rodoviários e empresários passaram por 15 rodadas de negociação salarial. A greve chegou a ser cogitada, mas acabou evitada após acordo que garantiu reajuste salarial de 4%, aumento de 4% no tíquete refeição e flexibilização do banco de horas.
Já na Região Metropolitana de Salvador (RMS), as paralisações foram mais recentes.
A última greve metropolitana ocorreu em março de 2024, quando cerca de 1,8 mil rodoviários aderiram ao movimento e aproximadamente 300 ônibus ficaram parados por 24 horas. O protesto afetou cidades como Lauro de Freitas, Camaçari, Candeias e outras regiões da RMS.
Antes disso, os rodoviários metropolitanos também realizaram uma paralisação em novembro de 2023, encerrada poucas horas depois após acordo com as empresas.
Greve foi confirmada após impasse no TRT
A decisão pela nova greve foi tomada após a segunda audiência de conciliação mediada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT-5) terminar novamente sem consenso entre empresários e trabalhadores.
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Logo após o encerramento da reunião, os rodoviários realizaram assembleia e aprovaram greve por tempo indeterminado. A paralisação deve atingir milhões de passageiros que dependem diariamente do transporte público em Salvador.
Segundo o Sindicato dos Rodoviários, a proposta apresentada pela Justiça do Trabalho era considerada “defensável” pela categoria, mas acabou rejeitada pelos empresários do setor.
Durante o anúncio da greve, o presidente do sindicato, Hélio Ferreira, criticou o reajuste salarial oferecido pelas empresas. “2,36% de aumento é uma vergonha. 2,36% deveria ser ganho real, não aumento salarial para uma classe importante como nós”, afirmou.
Ainda segundo Hélio, a proposta mediada pelo TRT-5 chegou a ser aprovada por unanimidade pelos trabalhadores, mas o posicionamento patronal inviabilizou o acordo.
Os rodoviários ainda não divulgaram qual será o percentual da frota em circulação durante a greve. Por se tratar de um serviço essencial, a legislação determina funcionamento mínimo do sistema.
Rodoviários cobram reajuste e melhores condições de trabalho
Entre as principais reivindicações da categoria estão:
- Reposição da inflação com 5% de ganho real;
- Aumento no ticket alimentação;
- Redução da jornada diária para seis horas;
- Revisão da “carta horária”;
- Implantação de Participação nos Lucros e Resultados (PLR);
- Gratificação para grandes eventos;
- Day off no aniversário;
- Complemento do plano de saúde;
- Estabilidade pré-aposentadoria;
- Melhores condições de trabalho.
Os trabalhadores também denunciam desgaste físico e mental causado por excesso de jornada, pressão operacional e frota considerada sucateada.
A audiência desta quinta-feira foi conduzida pela presidente do TRT-5, Ivana Nilo Magaudi, que tentou aproximar as propostas em reuniões separadas com empresários e representantes da categoria, mas sem sucesso.


