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LUTO OFICIAL

Terreiro do Gantois decreta luto após morte de Mãe Carmen

Comunicado do Gantois pede respeito aos rituais

Marina Branco

Por Marina Branco

31/12/2025 - 21:05 h
Mãe Carmen do Gantois
Mãe Carmen do Gantois -

Após a morte de Mãe Carmen, aos 98 anos, o Terreiro do Gantois anunciou oficialmente um período de luto em Salvador. A iyálorixá faleceu na última sexta-feira, 26, e a casa religiosa suspendeu atividades públicas para a realização dos rituais tradicionais de despedida, conhecidos como axexê, que podem se estender por até sete dias.

Em comunicado divulgado nas redes sociais, a Associação de São Jorge Egbé Oxóssi explicou que o momento exige recolhimento, silêncio e respeito absoluto às práticas do candomblé.

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Segundo a entidade, o período é dedicado exclusivamente aos ritos que garantem a passagem espiritual da líder religiosa ao Òrun, conforme os fundamentos das religiões de matriz africana.

A associação também fez um alerta público contra o uso indevido de registros ligados ao luto. De acordo com a nota, imagens, vídeos, áudios, entrevistas ou qualquer tipo de exposição do ritual não estão autorizados sem consentimento prévio da instituição responsável pelo terreiro.

A memória de uma Iyálorixá não é instrumento de autopromoção”, reforça o comunicado. Assim, a ASJEO afirmou que irá se posicionar institucionalmente contra iniciativas que desrespeitem o caráter sagrado do momento, destacando que a dor, a ancestralidade e os ritos não devem ser instrumentalizados em busca de visibilidade.

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Um post compartilhado por Ilé Iyá Omi Àse Iyamasé (@terreirodogantois)

Quem foi Mãe Carmen

Mãe Carmen de Oxalá, também conhecida como Mãe Carmen do Gantois, foi uma das mais importantes lideranças do candomblé no Brasil. Nascida em Salvador, em 29 de dezembro de 1926, teve sua vida marcada pela espiritualidade e pela preservação das tradições afro-brasileiras.

Iniciada ainda na infância, foi formada integralmente no Terreiro do Gantois, uma das casas mais tradicionais do país. Filha caçula de Mãe Menininha do Gantois, referência histórica do candomblé brasileiro, Mãe Carmen cresceu imersa nos fundamentos, ritos e saberes transmitidos por gerações de mulheres que sustentaram a linhagem matriarcal do terreiro.

Após o falecimento de Mãe Cleusa de Nanã, em 1998, Mãe Carmen foi escolhida para assumir a chefia espiritual do Gantois em 2002. À frente da casa por mais de duas décadas, conduziu o terreiro com rigor religioso, compromisso com a ancestralidade e defesa pública das religiões de matriz africana.

Mãe Carmen de Oxaguian
Mãe Carmen de Oxaguian | Foto: Valdemiro Lopes | CMS

Mãe Carmen tornou-se uma referência cultural e religiosa, participando do diálogo inter-religioso e da luta contra o preconceito religioso. Ao longo da vida, recebeu diversas homenagens, como a Medalha dos Cinco Continentes da Unesco, a Comenda Maria Quitéria e reconhecimentos do Tribunal de Justiça da Bahia.

Além da liderança espiritual, teve trajetória profissional como contadora e se dedicou à transmissão dos saberes do candomblé às novas gerações. Deixa duas filhas iniciadas na religião, além de netos e bisnetos que seguem ligados à comunidade do Gantois.

Mãe Carmen faleceu em 26 de dezembro de 2025, aos 98 anos, em Salvador.

Leia a nota completa:

A Associação de São Jorge Egbé Oxóssi – ASJEO, em razão do falecimento de Mãe Carmen do Gantois, comunica que o Terreiro do Gantois se encontra em período de luto, dedicando-se integralmente à realização dos rituais fúnebres (axexê), conforme os fundamentos, a tradição e o legado espiritual do nosso Ilê Iyá Omi Àṣẹ Ìyámase – Terreiro do Gantois.

Este é um tempo sagrado, marcado pelo recolhimento, pelo silêncio respeitoso e pela vivência íntima dos ritos que asseguram a passagem digna de nossa Iyalorixá ao Òrun, em consonância com os preceitos civilizatórios das religiões de matriz africana.

Nesse sentido, a ASJEO reforça que não concorda, não autoriza e repudia qualquer uso indevido de imagens, vídeos, áudios, narrativas, entrevistas, registros ou exposições públicas, em quaisquer meios de comunicação, redes sociais ou plataformas digitais, sem prévio conhecimento, consentimento e autorização formal da Associação.

O luto não é espetáculo.

O axexê não é conteúdo.

A memória de uma Iyalorixá não é instrumento de autopromoção.

Diante disso, a ASJEO torna público seu desagravo institucional frente a iniciativas individuais ou coletivas que, desrespeitando este momento sagrado, utilizem a dor, o rito e a ancestralidade para fins de visibilidade pessoal, midiática ou institucional.

Reiteramos que todas as comunicações oficiais, manifestações públicas e orientações relativas a este período serão realizadas exclusivamente pelos canais institucionais da ASJEO, no tempo oportuno e conforme os princípios éticos, espirituais e comunitários que regem nossa Casa.

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Tags:

Ancestralidade candomblé Mãe Carmen religiões de matriz africana Rituais de Luto Terreiro do Gantois

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