MULHERES EM PAUTA
"Vamos conquistar os espaços que nós queremos”, diz Néia Bastos
Chefe de gabinete da SPM-BA defende redes de apoio em evento do Grupo A TARDE

A conferência Mulheres em Pauta, organizada pelo Grupo A TARDE, reuniu representantes de diferentes setores da sociedade para discutir o empoderamento feminino como estratégia de enfrentamento à violência contra a mulher na última terça-feira, 17. O encontro, realizado no auditório do Sebrae, no bairro do Costa Azul, em Salvador, foi marcado por debates, questionamentos e propostas voltadas à ampliação da segurança feminina.
As violências, segundo a coordenadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (Neim) da Universidade Federal da Bahia (Ufba), professora Márcia Tavares, revelam uma disputa social marcada por avanços e resistências. Ela avalia que o fortalecimento de movimentos conservadores nos últimos anos ocorre como reação às conquistas femininas.
“Para uma mudança estrutural é preciso uma mudança de cultura, educação, políticas públicas, que todos se envolvam para produzir mudanças, porque transformação social não ocorre de forma fragmentada”, afirmou. “Temos uma das legislações mais avançadas, mas precisamos que nossos operadores da lei sejam capacitados e que esse processo de pedagogia ocorra desde as crianças nas escolas até o ensino superior”.
Formação
A educação é vista como fundamental neste processo, especialmente na formação das próximas gerações, aponta a superintendente de políticas para a educação básica da Secretaria de Educação do Estado (SEC), Helaine Souza. Ela explica que garantir uma vida sem violência para as meninas é uma obrigação da escola e de toda a sociedade. A ideia é que essa conversa seja incorporada ao cotidiano escolar e não apenas a ações pontuais.
Segundo ela, a rede estadual tem buscado estruturar políticas com formação continuada de professores e projetos desenvolvidos em parceria com outros órgãos, como a campanha “Oxe, me respeite”, que têm levado o debate para dentro das escolas, estimulando reflexões entre estudantes e educadores. “Pensando em empoderamento e segurança, a educação tem papel fundamental nesse processo. Nós formamos as próximas gerações”, afirmou.
Leia Também:
A secretária Municipal de Políticas para as Mulheres, Fernanda Lordêlo, destacou como maior desafio fazer com que a comunidade reconheça e conheça as políticas públicas efetivas de combate à violência contra a mulher. “É preciso ter cada vez mais politicas de prevenção e diálogo com os territórios e comunidades onde as pessoas possam compreender a violência e buscar ajuda”, destacou.
O combate à violência também exige articulação entre diferentes áreas. A diretora do Departamento de Proteção à Mulher, Cidadania e Pessoas Vulneráveis, delegada Juliana Fontes Barbosa, defende a ampliação da capacitação de profissionais de segurança pública em todo o estado. “É levar a todos os 417 municípios uma capacitação a todos os profissionais para que eles possam receber aquela mulher na delegacia, independente de julgamento”, disse.
Ela ressalta ainda que o homem precisa ser posto nessa equação da violência e que isso é feito através da educação e trazendo-o para atuar nesse combate. “Ele é o agressor, mas também é a solução”, falou.
Além do combate à violência, a autonomia econômica é considerada parte importante para redução das ocorrências, segundo a chefe de gabinete da Secretaria de Políticas para as Mulheres do Estado da Bahia, Néia Bastos. Ela aponta que essa construção precisa ser coletiva. “Nenhuma mulher vai chegar mais longe sozinha. É nas redes, é nos grupos que vai mais rápido, que vai mais longe e que vamos conquistar os espaços que nós queremos”, pontuou.
Ponto semelhante é levantado pela gerente de relações institucionais da Braskem, Magnólia Borges, que aponta que o setor empresarial precisa abraçar essa pauta tanto na construção de ambientes de trabalho seguros como por meio das ações de geração de renda e capacitação.
“Parabenizo o Grupo A TARDE por destacar esse assunto e trazê-lo à tona com a participação de mulheres tão relevantes nas suas áreas de atuação. É um tema de difícil solução que requer a contribuição de várias frentes de atuação, seja na área de educação, de políticas públicas, de empreendedorismo e no setor empresarial”, afirmou.
A presidente da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), Suely Temporal, também destaca a importância da conferência Mulheres em Pauta por trazer a associação entre mulher, empreendedorismo e segurança. “Tem tudo a ver, porque muitas mulheres ficam presas no ciclo da violência pela falta de recursos financeiros para se libertar de seus agressores. Louvo e parabenizo esse evento porque não discute somente a violência do ponto de vista físico, moral, intelectual ou social, mas também formas de sair dessa violência, que é justamente fazendo com que a mulher tenha a sua própria renda e possa se libertar”, disse Suely.
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
Compartilhe essa notícia com seus amigos
Siga nossas redes




