EDUCAÇÃO
Evento ‘Mulheres em Pauta’ discute educação e equidade de gênero
Programação reúne especialistas em Salvador

Por Loren Beatriz Sousa e Isabela Cardoso
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Em debate promovido pelo Grupo A TARDE, dentro da programação do evento 'Mulheres em Pauta', representantes da educação pública, da universidade e do setor industrial discutiram como a formação crítica pode contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Com o tema ‘Mulheres, Empoderamento e Segurança’, o encontro ocorreu nesta terça-feira, 17, no auditório do Sebrae, no bairro do Costa Azul, em Salvador.
Ao abordar o papel da rede estadual no enfrentamento das desigualdades, a superintendente de Políticas para a Educação Básica da Secretaria da Educação da Bahia (SEC), Helaine Souza, destacou que o trabalho vai além do combate direto à violência, priorizando a prevenção por meio da formação cidadã.
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Segundo ela, o ambiente escolar precisa ser um espaço permanente de diálogo sobre respeito, equidade e convivência saudável, preparando estudantes não apenas para o aprendizado acadêmico, mas também para a vida em sociedade.
“Quando a gente fala da Secretaria de Educação e o papel da educação nessas questões, falamos mais do que o combate, mais do que o enfrentamento. Falamos de prevenção, que meninas tenham direito a uma vida sem violência e, para isso, precisamos falar de masculinidades positivas, precisamos pautar essa questão da equidade, tocar nesses pontos que são tão caros porque, a escola como parte da sociedade, precisa também estar à frente dessas discussões”, disse.

Ambiente corporativo e redes de apoio
No setor industrial, a Braskem tem desenvolvido políticas internas e ações voltadas à equidade de gênero e ao acolhimento de mulheres. A gerente de Relações Institucionais da empresa, Magnólia Borges, ressaltou que as iniciativas envolvem tanto colaboradores quanto comunidades do entorno das operações.
“Para o público interno, temos diversas iniciativas, como por exemplo, a licença maternidade de 6 meses, que nós implementamos muito antes da legislação; espaço de maternidade para dar um conforto também para nossas integrantes. Para o público em geral, a gente vem trabalhando com redes de afinidade de gênero e também o programa chamado ‘Respeito é Inegociável’, justamente para ter um espaço de acolhimento, de diálogo, de uma rede de suporte e discutir temas impoprtantes como a discriminação e o assédio”, explicou.

Já no âmbito educacional, a coordenadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (NEIM) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), professora Márcia Santana Tavares, chamou atenção para o aumento dos casos de feminicídio e a necessidade de ampliar o debate sobre violência de gênero desde a infância até o ensino superior.
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Ao falar sobre os principais entraves para a redução da violência contra mulheres, Tavares destacou que ainda há resistência social na compreensão da luta por igualdade.
“É preciso combater a ideia que ainda vige e é alimentada pela sociedade capitalista, que é patriarcal e racista de que há uma diferença de classe, de raça, de gênero, que faz com que, aqueles considerados com menos privilégios e menos acesso a política e a justiça, estejam mais vulneráveis e, portanto, mais passíveis de sofrer violência. Então, esse gargalo demanda muita luta ainda”.
“É preciso educar a população, mas não só no âmbito acadêmico, mas essa educação deve vir desde crianças, deve está presente nas novelas, nas músicas porque há uma banalização da violência e uma onda conservadora muito grande que tem feito com que os valores patriarcais permaneçam fortes e os homens continuem autores de violência, inclusive, do próprio feminicídio. O feminicídio é o ápice, eu diria assim, é a forma mais letal de violência, mas as mulheres e meninas também sofrem violência desde muito cedo e de diferentes modalidades”, completou a professora.

Sobre o evento
Com mediação da jornalista Patrícia Abreu, o Mulheres em Pauta, evento exclusivo para convidados, tem o objetivo de reunir um grupo de mulheres com trajetórias inspiradoras.
O formato do encontro visa debater o poder do protagonismo feminino, empreendedorismo, gestão e os caminhos trilhados por figuras que estão moldando o futuro da Bahia e inspirando outras mulheres que, unidas, contribuem para transformar a sociedade.
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