DOENÇAS RESPIRATÓRIAS
Conselho questiona baixa vacinação para grupos de risco em Salvador
Crianças lideram casos de SRAG e idosos seguem entre as principais vítimas


A ampliação da vacinação contra a gripe para toda a população em Salvador, enquanto idosos e crianças ainda apresentam baixa cobertura vacinal, acendeu um alerta entre representantes da saúde pública na Bahia.
Os dois grupos concentram os maiores riscos de internação e morte por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e continuam sendo apontados como prioridade pelas autoridades sanitárias.
O alerta foi feito pelo Conselho Estadual de Saúde da Bahia (CES-BA), que defende a ampliação do acesso aos imunizantes, mas questiona a Secretaria Municipal de Saúde de Salvador (SMS) pela ausência de estratégias mais efetivas para alcançar os públicos prioritários.
Para o órgão, a expansão da vacinação não deve ocorrer sem que haja um esforço concentrado para aumentar a proteção de idosos e crianças, que seguem concentrando os maiores riscos de agravamento e morte por doenças respiratórias.
Na Bahia, existem cerca de 2,4 milhões de idosos e aproximadamente 177 mil crianças de até seis anos, públicos historicamente priorizados nas campanhas de vacinação devido à maior vulnerabilidade diante dos vírus respiratórios.
Segundo o conselho, o desafio atual não está apenas na oferta de vacinas, mas na capacidade do poder público de alcançar essas pessoas. Entre as medidas defendidas estão o fortalecimento da atuação das equipes de Saúde da Família, a ampliação da busca ativa e o reforço das campanhas de conscientização.
A reportagem do portal A TARDE entrou em contato com a SMS e não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
Crianças concentram a maioria dos casos
Os dados epidemiológicos reforçam a preocupação. Levantamento obtido pelo portal A TARDE aponta que as crianças de até 9 anos concentram 69,7% dos casos de SRAG registrados na Bahia em 2026.
Até o momento, o estado contabiliza 4.247 casos da síndrome. Desse total, 2.995 ocorreram nessa faixa etária. Além disso, 31 crianças morreram em decorrência das complicações respiratórias até o dia 25 de maio.
No mesmo período do ano passado, as crianças representavam 65,1% dos registros, com 29 óbitos.
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Outro dado que chama atenção é o avanço de vírus associados a quadros graves de pneumonia infantil. Os casos provocados pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e pelo metapneumovírus cresceram 76,9% em comparação com o mesmo período de 2025.
O VSR saltou de 359 para 745 registros, enquanto o metapneumovírus passou de 62 para 421 casos.
Idosos lideram as mortes
Embora as crianças sejam as mais afetadas em número de casos, os idosos continuam sendo as principais vítimas fatais das doenças respiratórias.
Segundo o levantamento, 91 pessoas com mais de 60 anos morreram em decorrência das SRAGs em 2026, representando 59,1% de todos os óbitos registrados no estado.
Apesar da redução em relação a 2025, quando foram registradas 121 mortes entre idosos, o grupo segue sendo o mais vulnerável aos quadros graves da doença.
Dados da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) mostram ainda que a letalidade aumenta significativamente com o avanço da idade, chegando a 16,8% entre pessoas com 80 anos ou mais.
Bahia registra mais de 4 mil casos
Dados do Boletim Epidemiológico nº 20 da Sesab apontam que a Bahia registrou 4.272 casos de SRAG e 137 mortes entre as semanas epidemiológicas 1 e 20 de 2026.
O número de notificações permanece praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 4.269 casos. A letalidade, porém, caiu de 4,9% para 3,2%.

Entre os agentes identificados, os chamados outros vírus respiratórios lideram as notificações, com 1.726 casos e 21 mortes. Em seguida aparecem a influenza, com 641 casos e 12 óbitos, e a Covid-19, com 106 casos e 13 mortes.
Os casos sem identificação do agente causador ainda representam uma parcela importante das estatísticas, respondendo por 86 dos 137 óbitos registrados no estado.
Rinovírus e VSR predominam
Entre os vírus respiratórios identificados pela vigilância epidemiológica, o rinovírus lidera as detecções, representando 55,4% das amostras positivas. Na sequência aparece o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), responsável por 33,5% dos registros.
Os dados da vigilância sentinela também apontam circulação importante da Influenza A (H3N2), atualmente o subtipo predominante entre os casos de gripe identificados no estado.
Salvador concentra maior pressão assistencial
Salvador segue como o município com maior número de notificações de SRAG na Bahia. Até a Semana Epidemiológica 20, foram registrados 1.435 casos na capital, aumento de 22,9% em relação ao mesmo período do ano passado.
Segundo a SMS, cerca de 67% das internações por SRAG atualmente estão concentradas em crianças menores de 10 anos.
A secretaria destaca ainda que Salvador recebe pacientes de diversas regiões do estado, o que contribui para a pressão sobre a rede assistencial da capital.
Vacinação abaixo da meta
Apesar da vacinação ser considerada a principal forma de prevenção contra casos graves e mortes, a cobertura vacinal segue abaixo do esperado. De acordo com a SMS, apenas 33,3% do público-alvo recebeu a vacina contra a gripe em Salvador. Entre as crianças, o índice é ainda menor e alcança apenas 23,5%.
Diante desse cenário, a pasta afirma que tem ampliado as estratégias de imunização por meio de equipes volantes, pontos itinerantes, drives-thru e mobilizações especiais aos sábados.
A secretaria também informou que participou de uma reunião técnica com a Sesab para discutir medidas de enfrentamento ao aumento das doenças respiratórias e avaliar a necessidade de reforço da estrutura assistencial.
Medidas de prevenção
Além da vacinação, especialistas reforçam a importância de medidas simples para reduzir a circulação dos vírus respiratórios.
Entre as recomendações estão:
- Higienizar frequentemente as mãos,
- Manter ambientes ventilados,
- Etilizar máscara em caso de sintomas gripais e
- Evitar aglomerações quando houver sinais de infecção respiratória.
Também é recomendado procurar atendimento médico diante de sintomas como falta de ar, dificuldade para respirar ou febre persistente, especialmente em crianças e idosos, grupos que continuam sendo os mais vulneráveis aos casos graves da doença.


