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Doença renal: transplante é esperança para 2 mil pacientes na Bahia

O primeiro transplante renal no Brasil aconteceu há 60 anos, em 16 de abril

Victoria Isabel
Por Victoria Isabel
| Atualizada em
Cerca de 2 mil pessoas aguardam por um transplante de rim na Bahia
Cerca de 2 mil pessoas aguardam por um transplante de rim na Bahia - Foto: Divulgação

A primeira cirurgia de transplante renal no Brasil foi realizada há 60 anos, no dia 16 de abril. Desde então, o procedimento tem revolucionado a vida de pacientes que dependem de diálise ou hemodiálise na Bahia. Segundo a nefrologista Ana Paula Baptista, a doença renal crônica tem uma evolução progressiva e, na maioria das vezes, é silenciosa. Por isso, é fundamental realizar avaliações periódicas da função renal, especialmente em pacientes com hipertensão ou diabetes.

“Todo paciente precisa ser avaliado quanto à sua condição clínica para saber se pode ou não realizar o transplante renal. Se estiver apto, ele é incluído no registro de receptores de doador falecido ou é analisada a possibilidade de um doador vivo na família”, explica a especialista coordenadora do serviço de nefrologia em um hospital em Salvador habilitado e autorizado para o procedimento na Bahia.

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Doação de órgãos

Cerca de 2 mil pessoas aguardam por um transplante de rim na Bahia. Cada uma delas está vinculada a um centro transplantador. Segundo Ana Paula, o grande desafio ainda é o número insuficiente de doadores para atender à demanda.

Hoje, na Bahia temos aproximadamente 2 mil pacientes na lista de espera por um transplante de rim. Em todo o ano passado, foram realizados cerca de 300 transplantes com doadores falecidos e vivos. Ainda temos uma grande deficiência de doadores.

A médica destaca que 64% das famílias recusam a doação de órgãos no estado. Ou seja, a cada 10 potenciais doadores, seis famílias optam por não autorizar a doação. Entre os principais motivos estão a resistência emocional e a falta de informação adequada, o que reflete uma necessidade de conscientização.

“A maioria das famílias argumenta o desejo de manter o corpo íntegro, mas isso está muito ligado à falta de informação e educação. É preciso orientar tanto os profissionais de saúde quanto a população sobre o que significa a doação de órgãos e como é feita a cirurgia de retirada”, reforça Ana Paula.

Imagem ilustrativa da imagem Doença renal: transplante é esperança para 2 mil pacientes na Bahia
Foto: Divulgação

Morte encefálica e resistência familiar

Ana Paula também observa que muitos familiares recusam a doação por não acreditarem no diagnóstico de morte encefálica. “Muitas pessoas acham que o familiar não está realmente em morte encefálica ou morte cerebal. Ficam inseguras em relação ao diagnóstico. É importante reforçar que o processo é extremamente seguro e amparado por legislação”, destaca.

Segundo ela, quando há suspeita de morte encefálica, mesmo com o coração ainda batendo, o diagnóstico passa por um protocolo rigoroso: “O diagnóstico é feito por dois médicos diferentes, sem qualquer vínculo com a equipe de transplantes, o que garante isenção. Primeiro, realizam o exame clínico, depois um segundo exame clínico e, por fim, um exame complementar, como o Doppler transcraniano, eletroencefalograma ou outros exames de imagem”, explica.

Como se tornar doador

No Brasil, para ser doador de órgãos, não é necessário deixar nada por escrito. O mais importante é comunicar esse desejo à família, já que apenas os parentes podem autorizar a doação. Mesmo assim, deixar o desejo registrado pode ajudar a orientar a decisão familiar, mesmo que o documento não tenha valor legal.

“Não adianta escrever na identidade, fazer procuração ou reconhecer firma em cartório. Nada disso tem validade. Só a palavra da família conta. Por isso, incentivamos que as pessoas conversem abertamente sobre a doação com seus familiares. A gente nunca sabe quando pode acontecer”, destaca Ana Paula Baptista.

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Bahia Doença Renal Crônica transplante

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