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Estudo revela ligação inesperada entre cabelos brancos e câncer
Cabelos brancos podem estar relacionados a um mecanismo natural

Por Edvaldo Sales

Os cabelos brancos podem ter um significado que vai além da estética. O surgimento dos fios grisalhos pode estar relacionado a um mecanismo natural do organismo para impedir o desenvolvimento de câncer, especialmente o melanoma, tipo agressivo de câncer de pele, segundo um estudo recente divulgado pela BBC News e publicado na revista científica Nature Cell Biology.
O estudo concentra-se nas chamadas células-tronco dos melanócitos, responsáveis por originar os melanócitos — células que produzem melanina, o pigmento que dá cor ao cabelo e à pele. Essas células-tronco ficam armazenadas nos folículos capilares e, ao longo da vida, são ativadas para manter a pigmentação dos fios.
Os pesquisadores apontam que quando essas células sofrem danos no DNA, especialmente quebras duplas — um tipo grave de lesão genética —, elas podem entrar em um processo chamado de seno-diferenciação.
Nesse mecanismo, as células amadurecem de forma irreversível e depois desaparecem do reservatório de células-tronco, o que resulta na perda de pigmentação e no aparecimento dos cabelos brancos.
Estratégia de defesa
A professora Emi Nishimura, da Universidade de Tóquio, líder do estudo, destacou que esse processo funciona como uma estratégia de defesa do organismo. “Essas descobertas mostram que a mesma população de células-tronco pode seguir destinos opostos — exaustão ou expansão — dependendo do tipo de estresse e dos sinais do microambiente”, explicou a pesquisadora.
Ou seja, ao “se retirar de cena”, a célula danificada deixa de se multiplicar e reduz o risco de acumular mutações que poderiam dar origem a um câncer. Nesse contexto, o cabelo grisalho seria uma consequência visível desse mecanismo de proteção biológica.
E se o mecanismo falhar?
Além disso, a pesquisa identificou que, em determinadas situações, como exposição a carcinógenos químicos ou à radiação ultravioleta, essas células podem burlar o mecanismo de proteção.
Nesses casos, elas continuam se renovando mesmo com danos no DNA, o que aumenta o risco de proliferação descontrolada e desenvolvimento de tumores, como o melanoma.
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